Liderança Profissional da Nação – Cabo Verde

Liderança Profissional da Nação – Cabo Verde

Dr. Sérgio Vieira, Fundador e Vice-Presidente da PISCDIL por Cabo Verde- Plataforma Internacional da Sociedade Civil da Diáspora Lusófona

 

NOTA BIOGRÁFICA

Dr. Sérgio Vieira, Presidente Nacional da Federação da Paz Universal, 45 anos de idade, natural de Cabo-verde, nacionalidade portuguesa, Casado e pai de 3 filhos.

Mestre em Sociologia, Globalização e Desenvolvimento, com especialização em “Dinâmicas Locais de Desenvolvimento”pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias. Formador certificado desde 2011 pela Escola de Formação Gustave Eiffel.

Experiência em funções de liderança no associativismo e em ONG`s de nível nacional e internacional; Palestrante, Conferencista e Formador de conteúdos e atividades nas áreas Educacional, atividades para a Paz, ações de Voluntariado e de nível Humanitário.

CV (biographical notes):

Dr. Sérgio Vieira, 45 years old, native of Cape Verde, Portuguese nationality. Master in Sociology, Globalization and Development, with specialization in “Local Development Dynamics” by the Lusophone University of Humanities and Technologies. Speaker and Lecturer. Trainer certified since 2011 by the Gustave Eiffel Training School. Experience in functions and leadership within associations and NGOs at national and international level, in the areas of Educational Training, Volunteer and Humanitarian Level.

TEXTO/SÍNTESE

“Novas formas de Governança e Liderança Participativa”

Curso: Licenciatura em Sociologia

Discente: José Sérgio Vieira, Junho de 2010

 

Governança e Liderança:

Todo o processo histórico da criação do conceito da Governança, no contexto da Democracia só vem mostrar que de facto as elites políticas, intelectuais e mesmo científicas sempre estiveram enganadas quando pensaram que nunca seria possível incluir o povo no acto de governação devido à sua ignorância em matéria de formação, (ou talvez tenha sido mais conveniente pensar e agir assim na altura, no sentido de manter o monopólio do poder e das decisões).

Acredito que grande parte dos problemas humanos têm residido no problema do Poder, ou seja, diz-se que “O poder corrompe” e na verdade verifica-se que o ser humano infelizmente tem constantemente falhado aquando da obtenção de um determinado estatuto de Poder (imposição) –» autoritarismo em vez de autoridade.

Partilho nesta minha conclusão, algumas posições, embora consciente de que não sendo no âmbito de um estudo cientificamente orientado, estas não passarão de teorias ou possíveis hipóteses futuras de estudo. No entanto considero-as situações que me parecem importantes de analisar/observar na evolução histórica das sociedades humanas.

Parece verificar-se uma tendência/regularidades com relação a problemáticas sociais que sofreram alterações com o processo de democratização social, (passou-se muitas vezes do “oito para o oitenta” extremos). Referindo-me aqui a várias das áreas que sempre foram de muita importância para o equilíbrio social. O caso da Família-Casamento (que foi perdendo a sua posição central (não só mas também) devido aos considerados casos de excesso de poder parental e poder masculino, (desde a violência paternal e doméstica, à pedofilia, “violações” e a muitas outras problemáticas); a Educação (cujos “professores” – antes considerados como segundos pais, se deixaram levar, guiados institucionalmente ou não, ao exagero pela posição de Poder em vez de Autoridade e agora não têm nem uma e nem outra); a Religião (que há muito perdeu a sua posição central, devido também ao excesso de poder – prepotência, ortodoxias -» inquisição); o progresso da Ciência (poder mal utilizado e sujeito a muita ganância e corrupção); a Economia (que cada vez mais tem dominado a cena mundial, gerando muitos problemas e crises financeiras, devido ao problema do poder), e a Politica (que está actualmente na mesma situação de perda de centralidade e credibilidade, devido ao excesso de poder que tem levado a muita corrupção e a muitas falhas de responsabilidade governamental).

Como se pode constatar pelos factos, o problema do poder tem estado sempre ligado a grande parte das problemáticas humanas e sociais. Perante uma necessidade de liberdade, inata no ser humano, as pessoas resistem às formas de poder/controlo de uma forma negativa, ou seja, quando existe poder (imposição -» apenas Disciplina – regras/Leis/) e não autoridade (conquista -» baseado em afectos/preocupação real), o ser humano rejeita qualquer tipo de domínio (o ideal creio, seria conseguir encontrar um ponto de equilíbrio).

              Mas o problema parece residir acima de tudo no interior do próprio indivíduo, e não nas várias instituições referidas (Família, Religião, Política, …) todas elas estruturas abstractas, igualmente necessárias e importantes para as sociedades e criadas pelos próprios indivíduos. Parece que é o próprio indivíduo que está em conflito consigo próprio ao viver em contradição com a sua própria consciência positiva, (egocentrismo, vaidade, prestígio, ganância, individualismo, necessidade de reconhecimento -» sede de poder), entre o certo e o errado, entre o correcto e o incorrecto, etc. E é também este indivíduo em conflito que acaba por se relacionar em conflito na Família, na Escola, nas Instituições Sociais, na Sociedade em geral.

              No campo da Governabilidade ou Liderança, estes deveriam corresponder a uma preocupação genuína com o colectivo e com as boas práticas de gestão do bem comum; protecção efectiva; atenção aos perigos reais para o colectivo; sentido de justiça e promoção da solidariedade e igualdade/equidade; tudo isso também pilares da Família (tradicional).

              Pierre Bourdieu, fala de reprodução social, mostrando que existe um sistema concertado de relações dentro das classes, sobretudo no que toca à distribuição dos bens económicos e culturais, dentro das elites sociais para que estes circulem sempre nesse meio, (in FREITAG,1980).

              Creio que o grande receio de muitos governos e das elites sociais, tem sido desde há muito tempo, a perda deste desequilíbrio entre as várias classes sociais, para que possam manter sob domínio aqueles que continuarão a proporcionar e a garantir o seu enriquecimento.

     Os símbolos são os instrumentos por excelência da “integração social”: enquanto instrumentos do conhecimento e de comunicação, eles tornam possível o “consensus” acerca do sentido do mundo social, o que contribui fundamentalmente para a reprodução da ordem social: a integração “lógica” é a condição da integração “moral”. (Pierre Bourdieu,  In “A ilusão económica”,1999). O poder simbólico é um poder que procura a construção de uma realidade e se inclina a estabelecer uma ordenação a que Durkheim chama “o conformismo lógico, …”, concepção homogénea que torna possível a concordância entre as inteligências”.

              As instituições sociais não têm conseguido resolver o problema da crise de valores e dar adequada orientação à Sociedade Humana neste tempo. A crise de valores não será fácil de resolver com uma Visão Relativa dos Valores. Para resolver as grandes confusões que se instalaram nas sociedades humanas, talvez fosse melhor adoptar uma visão centrada em Valores e Princípios Universais (comuns na sua essência e quando aplicados na prática são benéficos a todo e qualquer ser humano, independente da sua área geográfica, Cultura, Tradição ou Etnia). Uma visão de Valores e Princípios Universais deve estar por sua vez centrada numa relação de Preocupação Genuína, Cooperação e Entreajuda Humana – (um pouco no âmbito da filosofia da Bioética – Unesco).

  Jean Jacques Rosseau disse que, “O Homem nasce bom, a sociedade é que o corrompe”. Quanto a essa afirmação, eu não diria que o ser humano nasce bom ou mau, mas, prefiro dizer que o ser humano nasce inocente, daí que precise de uma educação correcta desde o inicio, começando na Família e depois na Escola, mesmo na Religião no caso dos crentes e nas várias outras áreas (para a criação de uma consciência positiva, noção de respeito e da importância do outro), para que se possa tornar um cidadão responsável e maturo, capaz de contrariar a sua tendência para a corrupção, na sociedade onde está inserido.

   Sem querer ser demasiado pessimista, o que se vê actualmente na transmissão de conhecimentos aos jovens, já provou que a Educação tal como está a ser levada está longe de ser a ideal, não está de facto a ajudar a melhorar a sociedade humana, a criar melhores cidadãos e/ou a preparar melhores líderes para futuro – muita tónica no intelecto e pouca sensibilidade emocional. Olhando para a realidade do mundo, muitas teorias provaram estar redondamente erradas.

Diferentes personalidades unidas no carácter. “Carácter é destino.” – Heraclitus

A razão principal creio eu, é que a Ciência de hoje, ainda está muito desprovida de um sistema de valores, centrada em normas, Éticas Sociais, e na base da Educação Moral Social do ser humano. A Politica veio substituir a Religião, mas também de tudo o que procurou “imitar” para recriar a ordem moral e social, não adoptou o sistema de valores como algo básico e fundamental para as sociedades humanas (até porque estes valores e Princípios de que falo, não estão necessariamente ligados com a Religião, mas sim com algo que a própria Consciência humana, inata e intrínseca, anseia e parece impulsionar nesse sentido. No final acredito que as pesquisas virão a provar que desde o inicio da história humana tudo esteve sempre relacionado e interligado, tudo é importante e tudo precisa de tudo (Multidisciplinaridade/Pluridisciplinaridade). Está provavelmente inscrito na própria génese do Ser Humano, mas sendo parte de uma área mais “invisível”, e talvez por isso, nem a Ciência e nem mesmo a Religião ainda a compreenderam verdadeiramente. Tendo em conta, no entanto, todo o conjunto do processo evolutivo humano, sou levado a acreditar que para lá caminhamos.

              O legado que iremos deixar ás futuras gerações será tanto melhor quanto mais rápido nos dermos conta destas importantes alterações a serem feitas e tomarmos medidas corajosas e empreendedoras no sentido de travar a continuidade da Reprodução Social impulsionado pelo domínio do Poder Simbólico.

  Quero por isso acreditar que estamos hoje a chegar à altura em que após termos atingido os dois extremos (Religião/Ciência, Espiritualidade/Razão), o ser humano conseguirá finalmente encontrar o equilíbrio e harmonia entre estas duas áreas do conhecimento e todas as outras áreas da vivência humana, em si mesmo como individuo, na Família, nas Sociedades, nas Nações e por fim no Planeta.

E é por isso, que creio, é sempre bom sermos um pouco idealistas, como forma de no nosso acreditar que é possível, ajudarmos com as nossas habilidades e capacidades a impulsionar a História no melhor sentido para o colectivo humano Global, em vez de aprender sem um propósito ou objectivos concretos, ter conhecimento mas sem ambição, actuar apenas por actuar, ou utilizar essas capacidades apenas para se atingir um determinado estatuto ao divulgar um Conhecimento, sem a devida preocupação com o seu lado mais benefício, mais concreto e prático no colectivo.

Isto também nos tem demonstrado a história, trazendo de vez em quando Homens (Reais e muitas vezes isolados, mas com uma grande força interior), que embora controversos no seu tempo, foram quase sempre estes que acabaram por se tornar grandes referências mundiais, e depois de períodos críticos, ajudaram a moldar a história humana, dando-lhe novas perspectivas de Moral, Ética, Comportamentos, Atitudes, de Conhecimento, de Pensamento e de Evolução.  Em todas as áreas da Sociedade e do Conhecimento têm existido este tipo de pessoas (alguns poucos exemplos: Confúcio, Buda, Mahomed, Jesus – Religião; Gandhi, Madre Teresa de Calcutá – “Humanitário”; Galileu, Copérnico, Einstein – Ciência; Martin Luther King, Nelson Mandela – Activistas pela liberdade e direitos humanos, entre muitos outros.

   Afinal o que tiveram de diferente estes homens, dos demais deste planeta, que os fez tornarem-se globalmente reconhecidos como pessoas de extrema importância no desenrolar dos acontecimentos e da história humana, admirados por todo o tipo de pessoas, mesmo por aqueles que socialmente são considerados prejudiciais ao colectivo, pelas suas atitudes e comportamentos completamente opostos aos destas pessoas. E porque é tão difícil seguir estes modelos de pessoas com personalidades tão diferentes e com acções em diversos tipos de áreas, (mas todas elas produtivas) no sentido da criação de algo benéfico para o colectivo social, não só da sua época, mas com repercussões de futuro?

   Eu acredito que a diferença que vemos neles tem a ver com aquilo que tem feito falta à sociedade humana, ou seja, o que frisei já:

Uma visão centrada em Valores e Princípios Universais (comuns na sua essência e quando aplicados na prática, benéficos a todo e qualquer ser humano, independente da sua área geográfica, Cultura, Tradição ou Etnia), fará toda a diferença no meu ver.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *