Maio, 2020

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Liderança Profissional da Nação – Cabo Verde

Liderança Profissional da Nação – Cabo Verde

Dr. Sérgio Vieira, Fundador e Vice-Presidente da PISCDIL por Cabo Verde- Plataforma Internacional da Sociedade Civil da Diáspora Lusófona

 

NOTA BIOGRÁFICA

Dr. Sérgio Vieira, Presidente Nacional da Federação da Paz Universal, 45 anos de idade, natural de Cabo-verde, nacionalidade portuguesa, Casado e pai de 3 filhos.

Mestre em Sociologia, Globalização e Desenvolvimento, com especialização em “Dinâmicas Locais de Desenvolvimento”pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias. Formador certificado desde 2011 pela Escola de Formação Gustave Eiffel.

Experiência em funções de liderança no associativismo e em ONG`s de nível nacional e internacional; Palestrante, Conferencista e Formador de conteúdos e atividades nas áreas Educacional, atividades para a Paz, ações de Voluntariado e de nível Humanitário.

CV (biographical notes):

Dr. Sérgio Vieira, 45 years old, native of Cape Verde, Portuguese nationality. Master in Sociology, Globalization and Development, with specialization in “Local Development Dynamics” by the Lusophone University of Humanities and Technologies. Speaker and Lecturer. Trainer certified since 2011 by the Gustave Eiffel Training School. Experience in functions and leadership within associations and NGOs at national and international level, in the areas of Educational Training, Volunteer and Humanitarian Level.

TEXTO/SÍNTESE

“Novas formas de Governança e Liderança Participativa”

Curso: Licenciatura em Sociologia

Discente: José Sérgio Vieira, Junho de 2010

 

Governança e Liderança:

Todo o processo histórico da criação do conceito da Governança, no contexto da Democracia só vem mostrar que de facto as elites políticas, intelectuais e mesmo científicas sempre estiveram enganadas quando pensaram que nunca seria possível incluir o povo no acto de governação devido à sua ignorância em matéria de formação, (ou talvez tenha sido mais conveniente pensar e agir assim na altura, no sentido de manter o monopólio do poder e das decisões).

Acredito que grande parte dos problemas humanos têm residido no problema do Poder, ou seja, diz-se que “O poder corrompe” e na verdade verifica-se que o ser humano infelizmente tem constantemente falhado aquando da obtenção de um determinado estatuto de Poder (imposição) –» autoritarismo em vez de autoridade.

Partilho nesta minha conclusão, algumas posições, embora consciente de que não sendo no âmbito de um estudo cientificamente orientado, estas não passarão de teorias ou possíveis hipóteses futuras de estudo. No entanto considero-as situações que me parecem importantes de analisar/observar na evolução histórica das sociedades humanas.

Parece verificar-se uma tendência/regularidades com relação a problemáticas sociais que sofreram alterações com o processo de democratização social, (passou-se muitas vezes do “oito para o oitenta” extremos). Referindo-me aqui a várias das áreas que sempre foram de muita importância para o equilíbrio social. O caso da Família-Casamento (que foi perdendo a sua posição central (não só mas também) devido aos considerados casos de excesso de poder parental e poder masculino, (desde a violência paternal e doméstica, à pedofilia, “violações” e a muitas outras problemáticas); a Educação (cujos “professores” – antes considerados como segundos pais, se deixaram levar, guiados institucionalmente ou não, ao exagero pela posição de Poder em vez de Autoridade e agora não têm nem uma e nem outra); a Religião (que há muito perdeu a sua posição central, devido também ao excesso de poder – prepotência, ortodoxias -» inquisição); o progresso da Ciência (poder mal utilizado e sujeito a muita ganância e corrupção); a Economia (que cada vez mais tem dominado a cena mundial, gerando muitos problemas e crises financeiras, devido ao problema do poder), e a Politica (que está actualmente na mesma situação de perda de centralidade e credibilidade, devido ao excesso de poder que tem levado a muita corrupção e a muitas falhas de responsabilidade governamental).

Como se pode constatar pelos factos, o problema do poder tem estado sempre ligado a grande parte das problemáticas humanas e sociais. Perante uma necessidade de liberdade, inata no ser humano, as pessoas resistem às formas de poder/controlo de uma forma negativa, ou seja, quando existe poder (imposição -» apenas Disciplina – regras/Leis/) e não autoridade (conquista -» baseado em afectos/preocupação real), o ser humano rejeita qualquer tipo de domínio (o ideal creio, seria conseguir encontrar um ponto de equilíbrio).

              Mas o problema parece residir acima de tudo no interior do próprio indivíduo, e não nas várias instituições referidas (Família, Religião, Política, …) todas elas estruturas abstractas, igualmente necessárias e importantes para as sociedades e criadas pelos próprios indivíduos. Parece que é o próprio indivíduo que está em conflito consigo próprio ao viver em contradição com a sua própria consciência positiva, (egocentrismo, vaidade, prestígio, ganância, individualismo, necessidade de reconhecimento -» sede de poder), entre o certo e o errado, entre o correcto e o incorrecto, etc. E é também este indivíduo em conflito que acaba por se relacionar em conflito na Família, na Escola, nas Instituições Sociais, na Sociedade em geral.

              No campo da Governabilidade ou Liderança, estes deveriam corresponder a uma preocupação genuína com o colectivo e com as boas práticas de gestão do bem comum; protecção efectiva; atenção aos perigos reais para o colectivo; sentido de justiça e promoção da solidariedade e igualdade/equidade; tudo isso também pilares da Família (tradicional).

              Pierre Bourdieu, fala de reprodução social, mostrando que existe um sistema concertado de relações dentro das classes, sobretudo no que toca à distribuição dos bens económicos e culturais, dentro das elites sociais para que estes circulem sempre nesse meio, (in FREITAG,1980).

              Creio que o grande receio de muitos governos e das elites sociais, tem sido desde há muito tempo, a perda deste desequilíbrio entre as várias classes sociais, para que possam manter sob domínio aqueles que continuarão a proporcionar e a garantir o seu enriquecimento.

     Os símbolos são os instrumentos por excelência da “integração social”: enquanto instrumentos do conhecimento e de comunicação, eles tornam possível o “consensus” acerca do sentido do mundo social, o que contribui fundamentalmente para a reprodução da ordem social: a integração “lógica” é a condição da integração “moral”. (Pierre Bourdieu,  In “A ilusão económica”,1999). O poder simbólico é um poder que procura a construção de uma realidade e se inclina a estabelecer uma ordenação a que Durkheim chama “o conformismo lógico, …”, concepção homogénea que torna possível a concordância entre as inteligências”.

              As instituições sociais não têm conseguido resolver o problema da crise de valores e dar adequada orientação à Sociedade Humana neste tempo. A crise de valores não será fácil de resolver com uma Visão Relativa dos Valores. Para resolver as grandes confusões que se instalaram nas sociedades humanas, talvez fosse melhor adoptar uma visão centrada em Valores e Princípios Universais (comuns na sua essência e quando aplicados na prática são benéficos a todo e qualquer ser humano, independente da sua área geográfica, Cultura, Tradição ou Etnia). Uma visão de Valores e Princípios Universais deve estar por sua vez centrada numa relação de Preocupação Genuína, Cooperação e Entreajuda Humana – (um pouco no âmbito da filosofia da Bioética – Unesco).

  Jean Jacques Rosseau disse que, “O Homem nasce bom, a sociedade é que o corrompe”. Quanto a essa afirmação, eu não diria que o ser humano nasce bom ou mau, mas, prefiro dizer que o ser humano nasce inocente, daí que precise de uma educação correcta desde o inicio, começando na Família e depois na Escola, mesmo na Religião no caso dos crentes e nas várias outras áreas (para a criação de uma consciência positiva, noção de respeito e da importância do outro), para que se possa tornar um cidadão responsável e maturo, capaz de contrariar a sua tendência para a corrupção, na sociedade onde está inserido.

   Sem querer ser demasiado pessimista, o que se vê actualmente na transmissão de conhecimentos aos jovens, já provou que a Educação tal como está a ser levada está longe de ser a ideal, não está de facto a ajudar a melhorar a sociedade humana, a criar melhores cidadãos e/ou a preparar melhores líderes para futuro – muita tónica no intelecto e pouca sensibilidade emocional. Olhando para a realidade do mundo, muitas teorias provaram estar redondamente erradas.

Diferentes personalidades unidas no carácter. “Carácter é destino.” – Heraclitus

A razão principal creio eu, é que a Ciência de hoje, ainda está muito desprovida de um sistema de valores, centrada em normas, Éticas Sociais, e na base da Educação Moral Social do ser humano. A Politica veio substituir a Religião, mas também de tudo o que procurou “imitar” para recriar a ordem moral e social, não adoptou o sistema de valores como algo básico e fundamental para as sociedades humanas (até porque estes valores e Princípios de que falo, não estão necessariamente ligados com a Religião, mas sim com algo que a própria Consciência humana, inata e intrínseca, anseia e parece impulsionar nesse sentido. No final acredito que as pesquisas virão a provar que desde o inicio da história humana tudo esteve sempre relacionado e interligado, tudo é importante e tudo precisa de tudo (Multidisciplinaridade/Pluridisciplinaridade). Está provavelmente inscrito na própria génese do Ser Humano, mas sendo parte de uma área mais “invisível”, e talvez por isso, nem a Ciência e nem mesmo a Religião ainda a compreenderam verdadeiramente. Tendo em conta, no entanto, todo o conjunto do processo evolutivo humano, sou levado a acreditar que para lá caminhamos.

              O legado que iremos deixar ás futuras gerações será tanto melhor quanto mais rápido nos dermos conta destas importantes alterações a serem feitas e tomarmos medidas corajosas e empreendedoras no sentido de travar a continuidade da Reprodução Social impulsionado pelo domínio do Poder Simbólico.

  Quero por isso acreditar que estamos hoje a chegar à altura em que após termos atingido os dois extremos (Religião/Ciência, Espiritualidade/Razão), o ser humano conseguirá finalmente encontrar o equilíbrio e harmonia entre estas duas áreas do conhecimento e todas as outras áreas da vivência humana, em si mesmo como individuo, na Família, nas Sociedades, nas Nações e por fim no Planeta.

E é por isso, que creio, é sempre bom sermos um pouco idealistas, como forma de no nosso acreditar que é possível, ajudarmos com as nossas habilidades e capacidades a impulsionar a História no melhor sentido para o colectivo humano Global, em vez de aprender sem um propósito ou objectivos concretos, ter conhecimento mas sem ambição, actuar apenas por actuar, ou utilizar essas capacidades apenas para se atingir um determinado estatuto ao divulgar um Conhecimento, sem a devida preocupação com o seu lado mais benefício, mais concreto e prático no colectivo.

Isto também nos tem demonstrado a história, trazendo de vez em quando Homens (Reais e muitas vezes isolados, mas com uma grande força interior), que embora controversos no seu tempo, foram quase sempre estes que acabaram por se tornar grandes referências mundiais, e depois de períodos críticos, ajudaram a moldar a história humana, dando-lhe novas perspectivas de Moral, Ética, Comportamentos, Atitudes, de Conhecimento, de Pensamento e de Evolução.  Em todas as áreas da Sociedade e do Conhecimento têm existido este tipo de pessoas (alguns poucos exemplos: Confúcio, Buda, Mahomed, Jesus – Religião; Gandhi, Madre Teresa de Calcutá – “Humanitário”; Galileu, Copérnico, Einstein – Ciência; Martin Luther King, Nelson Mandela – Activistas pela liberdade e direitos humanos, entre muitos outros.

   Afinal o que tiveram de diferente estes homens, dos demais deste planeta, que os fez tornarem-se globalmente reconhecidos como pessoas de extrema importância no desenrolar dos acontecimentos e da história humana, admirados por todo o tipo de pessoas, mesmo por aqueles que socialmente são considerados prejudiciais ao colectivo, pelas suas atitudes e comportamentos completamente opostos aos destas pessoas. E porque é tão difícil seguir estes modelos de pessoas com personalidades tão diferentes e com acções em diversos tipos de áreas, (mas todas elas produtivas) no sentido da criação de algo benéfico para o colectivo social, não só da sua época, mas com repercussões de futuro?

   Eu acredito que a diferença que vemos neles tem a ver com aquilo que tem feito falta à sociedade humana, ou seja, o que frisei já:

Uma visão centrada em Valores e Princípios Universais (comuns na sua essência e quando aplicados na prática, benéficos a todo e qualquer ser humano, independente da sua área geográfica, Cultura, Tradição ou Etnia), fará toda a diferença no meu ver.

Liderança Profissional da Nação – Angola

Liderança Profissional da Nação vs Liderança Amadora da Nação

  • Debate à Distância

  • TEMÁTICA: Liderança Profissional da Nação

  • DATA: 30 DE MAIO DE 2020.

  • HORA:  11h00 de Portugal e horas correspondentes das Comunidades Lusófonas.

  • LOCAL: ZOOM – Videoconferência, com capacidade para 100 participantes, para mais de duas horas de duração.

  • COMO PARTICIPAR: Cada interessado receberá, através do seu email pessoal: Link, ID e Senha

 

Dr. Vitor Burity da Silva

Vice-Presidente da PISCDIL por ANGOLA  

 

A seguir:

1. Texto do qual Dr. Vitor Burity fará 5 minutos de apresentação e estará à disposição dos interlocutores para quaisquer questões sobre a temática.

2. Curriculum.

 

1. TEXTO

LIDERANÇA PROFISSIONAL / LIDERANÇA AMADORA / SOLUÇÕES?

Talvez seja sonhar sem estigmatizar, a realidade de factos consumados consubstanciam verdades de incoerências orgânicas, fenómenos sociais intrínsecos às verdades de quotidianos diversos onde se possam colocar verdades em papel timbrado os leques de voos sem que as asas se abram ou até nunca se fechem.

As realidades são inequivocamente transcendentais pelas verdades apenas consumidas num alguidar de bairros onde vaidades se assombram nos leques de mundos outros, essas verdades sociais numa assembleia de votos líderes e sem preconceitos evacuarem de si as formulas para a subsistências de tendências desaparecidas num voraz sedimento de actos convencionais e sem adulterarem vícios criados por hábitos acoplados à simples caminhada do ir, como quem se aglomera num comboio sem rumo, rumos diferentes dos que a necessidade mais deles precisa.

Segundo George Terry (2006, p.12) sintetiza a ideia central do conceito de liderança em apenas: “A liderança é a actividade de influenciar pessoas fazendo-as empenharem-se voluntariamente em objectivos de grupo”.

Tempos sempre presentes, desde todas e quaisquer formas de intervir nos contextos a elaborar produção, influenciando grupos e sociedades numa mobilidade produtiva de forma sã, motivada, acrescendo-lhes dividendos e contrapartidas adequadas. Acredito que exemplos possam vir e chegar de estruturas já com melhores provas dadas neste âmbito pudessem ser usadas como referência, excluindo delas valores intrínsecos e inspiradores, para a criação de um mercado competitivo.

Considerando que vivemos em um mercado competitivo e em constante modificação o tema liderança tem ocupado lugar de destaque em qualquer oportunidade em que as pessoas se encontrem para discutir os destinos dos negócios.

De acordo com Ram Charam em seu livro: Liderança na era da turbulência económica, (2009, p.19) encontramos seis características essenciais da liderança em tempos difíceis:

. Honestidade e credibilidade;

. Capacidade de inspirar;

. Conexão em tempo real com a realidade;

. Realismo com uma pitada de optimismo;

. Administração com intensidade;

. Ousadia para se preparar para o futuro.

    Teoricamente, a liderança exige um conjunto de procedimentos e actividades que necessita da capacidade de saber fazer, da sensibilidade de saber perceber e da sabedoria de saber entender, deixando claro que uma pessoa não lidera tudo o tempo todo, mas ela poderá sempre, liderar nessas condições.

Teríamos como base de forma didáctica a evolução do conceito de liderança tendo por base os filósofos e os estudiosos em administração, defendo que a liderança é a arte de inspirar, motivar, animar ideias e pessoas tanto no conceito empresarial como estendendo-se para um conceitos global, estado, país, e, por ventura, continental, libertando as gestões para um arbítrio menos oprimido e pesado,  augurando por objectivos e resultados e que não se preocupem tanto com a pressão de chefias menos pesadas e cansativas, das que levam a um descontentamento geral, desvirtuando assim, valores acrescentados, limitando o progresso com estruturas cansativas e pesadas, repetindo-me, desviamo-nos então dos preceitos mais proveitosos na procura de mais e melhor, numa constante e permanente forma de crescimento e resultados comuns, sendo que liderança já implica em si autoridade, mas numa administração mais respeitosa para com os subordinados.

Entendamos que, para um líder, entender o mundo, tenha de antemão a capacidade de perceber o que esteja em mudança, o que é necessário para que, com ele, mude o mundo da sua gestão no trabalho e lugar de prazer para os demais, pois, com isso, a seriedade nunca seja posta em causa, elaborando num regime de prazer e alegria em circunstâncias de reconhecimento, para que possam vir à tona. Questões essas que variam com as diferentes praças universais, distinções e conceitos de líder que variam desde as diferenças físicas, morais e históricas.

Entre a imensidão existem um sem número de tipos e estilos de liderança que se enumeram desde a antiga Grécia, citando, entretanto, alguns para nos guiemos no raciocínio possível e que aqui pretendemos, pelo menos, compreender.

”As mais belas qualidades tornam-se inúteis, quando a força do carácter não as sustenta.” Theophile Gautier.

”Não é preciso ter olhos abertos para ver o sol, nem é preciso ter ouvidos afiados para ouvir o trovão. Para ser vitorioso você precisa ver o que não está visível.” Sun Tzu.

”É como se fôssemos forçados a lidar com o imponderável, ao mesmo tempo que o imponderável é a única certeza que temos na vida.” Saulo Beiler.

“É difícil ser bem-sucedido sem ser esperançoso. Quando se acredita que o futuro vai ser melhor que o presente, começamos a trabalhar duro hoje.” Gallup.

”Ter empatia é ver o mundo com os olhos do outro e não ver o nosso mundo reflectido nos olhos do outro.” Carl Rogers.

“Se a humanidade tivesse, realmente, desejado o que está, já há muito tempo o teria conseguido.” William Hazill.

Desde os tipos aos estilos de liderança, uma centelha de ideais se espalham proclamando virtudes e defeitos, cabendo-nos a nós, como povo e cidadãos, escolher o que nos parecerá melhor u mais conveniente, com líderes que possuem as suas próprias características e estilos, e de entre elas venham as escolhas, quando ainda for possível melhorar o mundo e a pessoas que nele habitam.

Teorias sobre liderança política baseadas em estudos de Aristóteles, como a Ética a Nicómaco, Tratado da Virtude Moral, surge-nos a frase, também de Aristóteles, “A política é a ciência do bem para o homem”, apercebermo-nos aqui que, desde sempre, foi um assunto que nos intrigou como homens de uma sociedade, desde os tempos mais antigos aos de hoje, onde se encontram estudos sobre o tema.

Max Weber cita, “Poder é toda a chance, seja ela qual for, de impor a própria vontade numa relação social, mesmo contra a relutância dos outros”. Daí se derivam teorias e análises sobre estilos de liderança política, estudadas por cientistas, políticos e professores, etc.

    Não nos afastando da questão em debate, observarmos contextos muito próprios e específicos, como o exemplo a seguir:

    ” Em países que por herança colonial se constituem de povos com culturas e tradições diversas, algumas até rivais, o tema liderança é desafiador e até provocador.

Liderar, segundo Salim, et al (2004) citado por Silva, A. (2015) é “saber definir objectivos, orientar tarefas, combinar métodos, estimular as pessoas no rumo e metas traçadas e favorecer relações equilibradas dentro da equipe de trabalho (…)”.

Angola oferece-nos um contexto multicultural, onde ainda existe o predomínio das tradições tribais passando a liderança intermediária para os sobas, que podem ser eleitos, nomeados e de forma predominante escolhidos por sangue ou por herança familiar.

A par de uma necessidade intrínseca de levar a bom porto os objectivos nacionais é necessário coaduna-los com as necessidades regionais e de acordo com as tradições locais.

Existe um permanente conflito que necessita uma intervenção diplomática, formativa mas acima de tudo colaborativa com as lideranças tribais para que se possa olhar para estas metas como uma única meta, obrigando muitas vezes a desenvolver métodos diversos que possam de alguma forma agradar à maioria, por vezes flexibilizar para que no mínimo se possa remar na mesma direcção.

A procura por uma identidade e muitas vezes a busca incessante das raízes familiares provoca uma necessidade de aproximação entre as regiões mais urbanas e as rurais onde maioritariamente se encontra as tribos. Esta oportunidade de criar empatias dá-nos uma oportunidade única de flexibilizar o pensamento e permitir actos conjuntos que anteriormente não seriam possíveis.

Ao contrário do que se possa transparecer para o mundo fora fronteiras, esta constante busca pelo diálogo e um acordo entre todos torna-se um desafio em termos de tempo, mas necessário para que se possa avançar um pouco como um todo. As decisões tornam-se mais lentas o que pode por vezes levar-nos a pensar que nada se fez ou se decidiu, pode parecer uma liderança fraca, ou omissa, mas no fundo é um conjugar de interesses que nem sempre são racionais mas que atendem aquilo que serão as tradições e o medo pelo desconhecido fruto de uma falta de formação intrínseca e muitas vezes forçada pela própria tradição.

No contexto social, as unidades familiares são alargadas onde a figura paternal com mais idade (o mais velho) é por inerência o líder e a ele se devem todas as explicações sem nada poder ser decidido sem o seu aval ou anuência. O mais velho também o mais experiente detém o conhecimento da vida e a ele se deve obediência, simples actos com namorar, casar, divorciar, trabalhar devem ser imediatamente comunicados em assentada familiar (concelho de família) e nada poderá ser decidido sem a permissão do líder familiar. A família tem que ser protegida e deve ser financiada por todos de igual forma tendo a responsabilidade de quem ganhar mais (salário) o dever de partilhar com os membros da família que têm menos.

A vida pertence a todos da família, é uma comunidade que detém alguma autonomia, sendo que só o mais velho (líder familiar) pode pedir para falar com o soba (líder tribal). Esta hierarquia está intrínseca na educação de todos e muitos poucos se atrevem a não cumpri-la sob pena do desconhecido os castigar de forma impensável e dolosa para todos. Existe um conceito forte e inequívoco de que por todos se vive e a todos se castiga pelo erro de um. A responsabilidade é colectiva, e movem-se como um corpo uníssono, quem não cumprir as regras é banido ou pior.

As regiões urbanas encontram-se cada vez mais afastadas destas tradições tendo maioritariamente os jovens tornando-se em híbridos culturais que ora buscam as suas raízes ou se afastam delas conforme o seu interesse e objectivos a alcançar. Não conseguem, contudo, viver mediante normas e comportamentos sociais que menosprezem os líderes familiares ou tribais, podem até se afastar, mas temem-nos.

O vazio que existe entre aquilo que é a crença dos seus ancestrais e demais e o mundo ocidentalizado fê-los perder rasto do desconhecido que é muitas vezes preenchido pela necessidade de agregações religiosas, trocando o feitiço por deus, e muitas vezes complementando um com o outro, conforme a necessidade.

O temor do que poderá vir além da morte e do invisível é algo que a ciência ainda não lhes deu resposta. A educação e a partilha do conhecimento é débil e encontra muitas barreiras culturais para o seu desenvolvimento, não é um terreno fértil para a ciência.

Os líderes religiosos tornam-se cada vez mais importantes, sobretudo nas regiões urbanas, pois são eles que determinam o comportamento por aconselhamento aos seus discípulos, ávidos por uma explicação e conforto diante do amanhã invisível. A eles se deve uma obediência cega, como aliás se o fará nas tribos com os sobas, por convicção de que estes líderes são os instrumentos de Deus para os liderar, tudo é de todos os irmãos da Igreja ou congregação, é a família que deve ser protegida e sustentada financeiramente, assim como na família rural, o que ganha mais tem obrigação de dar mais, não a todos, mas sim de dar à Igreja ou congregação que tem por responsabilidade dividir com os irmãos mais desfavorecidos.

Liderar representa no fundo a agremiação de sobas, líderes religiosos e só por fim os políticos para que se consiga a uma única voz, caminhar juntos. Esta é uma liderança extremamente complexa, por vezes morosa, mas se tiver como objectivo a estabilidade e a paz, será com certeza a mais segura”.

E como sabemos, podemos definir a liderança política como a capacidade de um individuo em colocar-se à frente de processos políticos numa atitude que leva outros indivíduos a seguirem determinadas formas de pensar e de agir.

Com as suas características, a percepção do seu contexto histórico a partir daí, tornar-se numa figura capaz de presentar movimentos perspicazes de perfis analíticos para se relacionarem com as pessoas certas e coloca-las em prática com poderes persuasivos que visem mudar os rumos da história, logo, não existe apenas um estilo de liderança, mas sim vários, dependendo das personalidades e experiências nas vidas político-partidárias.

Para Ernesto Lacau, “o populismo é ainda a melhor maneira de organização política, pois, é o estilo de liderança que mais oferece representatividade e espaço às classes mais excluídas noutros tipos de liderança”.

Daí, resultados como motivação. Uma definição clara que se refere ao a um direccionamento instantâneo do pensamento, da acção, a um objectivo positivo do individuo, tais como desejo, anseio, vontade, esperança, etc., levando a que um mesmo objectivo possa levar diferentes pessoas e por diferentes razões a objectivos mais ou menos desejáveis, gerando competitividade entre as pessoas, e a essas preferências estáveis atribuímos-lhes mais estabilidade e motivação.

A motivação gere ânimo, o ânimo mais produtividade, a produtividade mais eficiente que proporcionará melhores resultados num ambiente seguro de trabalho, assunto que nos leva a produzir com mais motivos de alegria e satisfação.

E para nos concentrarmos no epicentro do tema, recuamos séculos de história ligam-nos à tradição da antiga filosofia e particularmente a Platão e Aristóteles, onde este último define o sujeito como um dos modos de substância possa ser aquilo que nos diga alguma coisa, mas que por sua vez pode não ser dito nada (metafísica, século VII a.C.).

Para vários pensadores da história da liderança e correntes filosóficas, temos como referência alguns exemplos:

Para Marx, não funcionava como o motor da história, mas sim como um sujeito auto consciente das classes sociais e as relações de produção. Para Nietzsche, eram o sujeito e a consciência como mascaras da vontade do poder.  Para Freud, que o colocou o sujeito na psique e não no cogito, mas num conjunto de desejos inconscientes que o dominam e dele se assenhoram, tal processo de contestação chegou ao auge na moda anti-humanista e anti subjectivista que caracterizou o estruturalismo, a hermenêutica, o pensamento fraco e todas as correntes que pregaram a necessidade de se pensar além do sujeito e das suas pretensas certezas gnosiológicas, morais, políticas, sociais e culturais. Correntes influenciadas por Heidegger pela sua inclinação em ver o sujeito cartesiano no mesmo patamar, sujeito-objecto, preconizando a figura do homem tecnocrático e violento do século XX.

Um exemplo moderno de formulação do conceito de liderança, Robert Maclver e Page (1937), consideravam como “capacidade de persuadir ou dirigir homens, resultado de qualidades pessoais, independentemente da função exercida”. Daí, diferentes tipos de liderança se encaminhavam e ainda se preconizam num mundo ainda em aberto à vida e a novas propostas, sem que se desliguem radicalmente das matrizes preconizadoras de todo o sempre para futuros ainda por chegar, nas mais variadas tipologias adoptadas.

De qualquer maneira, vai-se concretizando a transacção, o problema é saber por quem se é guiado e se segue o guia, ou seja, um problema do poder legitimado. Actualmente, no mundo, as lideranças revelam imprecisões, repelem-se análises psicológicas e sociológicas da ciência política em podemos radicalizar ao ponto de afirmar que a liderança tem sido objecto de enormes quantidades pensamentos nem sempre correctos ou pensamentos dogmáticos de influência.

Necessitam-se ainda hoje de estudos e abordagens sobre o tema e enfatizam a necessidade de aprofundar estudos, considerando-o como relacionamento de reciprocidade entre líderes, trabalhadores, povo e etc., em planos de caracter social, simbólico, identitário e cultural.

Um líder precisa e depende da legitimidade e atrelados à ressonância que existe entre problemas pessoais do próprio líder para com os demais, numa relação que possa assim vingar e correspondendo à necessidade dos liderados. Apenas com um processo de identificação se consegue de facto concluir e terminar em bom porto toda esta maresia que nos traz de há séculos, tentando edificar o individuo sem se desmobilizar o todo, tornando-os ordenadores e ordenados num significado de valores e de práticas. Tanto para o indivíduo como para o colectivo.

Vítor Burity da Silva

 

2. CURRICULUM

COMPLEMENTANDO O CURRICULUM:

 

Vítor Burity da Silva, is Academician  of the department of Philosophy, Scientific secretary of the department of Literature, member of the editorial council of the Publishing House of International Mariinskaya Academy n.a. M.D. Shapovalenko & member of the editorial board of the scientific journal “Mariinskaya Academy”.

Honorary Doctor Philosophy and Literature – 2019.

Cypress International Institute University (Texas – USA). No Polo situado no Malawi.

CYPRESS INTERNATIONAL CENTER FOR ACADEMIC RESEARCH.

Publico semanalmente Crónicas Literárias de pendor Filosófico (existencialista), no Jornal Tornado – Portugal. No Site Reaserchgate, na área de investigação – área de reflexão e trabalhos de pendor Filosófico.

 

Licenciado em Jornalismo pela Universidade Autónoma de Lisboa, em 1989.

 

Vítor Burity da Silva nasceu na cidade do Huambo, em Angola, a 28 de Dezembro

de 1961, filho de Fernando Burity da Silva e de Beatriz Amaro.

Vive em Luanda. (Angola).

Licenciado em Jornalismo.

Doutor Honorário em Literatura e Filosofia.

Professorship em Literatura e Filosofia.

Pós-graduado em Estudos Comparados – Literatura e Outras Artes.

Pós-Graduado em Bibliotecnia, Documentação e Investigação Científica.

Pós-Graduado em Gestão Académica.

Pós-Graduado em Gestão de Projectos.

Pós-Graduado em Gestão do Tempo.

Curso de Editor e Revisor Literário.

É autor dos livros:

– Rua dos Anjos, do qual se extraiu parte do texto para manuais escolares de Português (12.ª classe – Angola),

– Este lago não Existe;

– Novembro;

– O velho do rio sem nome;

– Emma, a menina triste. do livro infantil-juvenil:

Participou em várias colectâneas de prosa:

– Poiesis, (2007);

– Intemporal, (2008);

– A Arte pela escrita, (2008);

– Taras de Luanda (2015);

– Colectânea Bar dos Canalhas (2016);

– Arte Pela Escrita Nove (2016).

Com mais de vinte livros escritos, (romances e crónicas).

Autor de crónicas semanais em vários jornais e revistas de Angola, Moçambique, Portugal e Brasil.

Publicou em jornais e revistas, tendo obtido vários prémios e menções honrosas.

International Author of books respected globally by International Association of Writers (USA)

(Autor internacional de livros respeitados globalmente pela Associação Internacional de Escritores) (EUA.

Membro Efectivo da Academia de Artes do Brasil.

– Colaborador residente do Jornal da Cultura, Angola.

Redactor e Colaborador residente do Jornal O TORNADO, Portugal.

– Membro Honorário do Círculo de escritores Moçambicanos na Diáspora, galardoado

com “Mérito de Qualidade nas Letras”.

Professor Universitário de língua portuguesa, literatura de expressão portuguesa, infanto-juvenil e de literatura de expressão angolana.

Director do Gabinete de Comunicação e Imagem da Universidade Independente de Angola.

 

 

 

 

 

 

Liderança Profissional da Nação – Damão e Diu

Liderança Profissional da Nação vs Liderança Amadora da Nação

  • Debate à Distância

  • TEMÁTICA: Liderança Profissional da Nação

  • DATA: 30 DE MAIO DE 2020.

  • HORA:  11h00 de Portugal e horas correspondentes das Comunidades Lusófonas.

  • LOCAL: ZOOM – Videoconferência, com capacidade para 100 participantes, para mais de duas horas de duração.

  • COMO PARTICIPAR: Cada interessado receberá, através do seu email pessoal: Link, ID e Senha

Membro Fundador e Vice-Presidente da PISCDIL por Damão e Diu

Pe. António Colimão

 

Texto/Síntese da sua Comunicação, 5 (cinco minutos). Será publicado, logo que possível, O Texto Completo, sem limitações de páginas ou palavras. Estará à disposição dos interlocutores para quaisquer questões sobre a temática.

 

“LIDERANÇA PROFISSIONAL DA NAÇÃO”.

Não obstante, a minha formação académica, quer Filosófica/Teológica, para o Sacerdócio Católico, e quer, a seguir a essa Formação, eu tenha também deambulado pelas Ciências Políticas na Universalidade de DARWAR, em Belgaum, ÍNDIA, por um princípio, assumido, desde o início do meu Sacerdócio – o de não me emiscuir na Política, – envolveu-me, de uma couraça de proteção que ajudou muito na minha vida Pastoral!
Isso não quer dizer que me tenha alheado da política, visto considerar o ser humano ,”um animal politico”! Como cidadão do nosso mundo democrático, sempre fiz a minha leitura política, exercendo sempre o meu direito e dever cívico!

NÃO é tarefa fácil liderar, não só um grupo de pessoas, e, muito mais, uma Nação, para o qual se exige não apenas altas qualificações, espertezas ou pertencer a esse ou aquele grupo político!

O Mundo sempre teve figuras que deram exemplo de bons “Lideres” e a História regista com orgulho os seus nomes, pois conduziram com sabedoria os Povos, como também pessoas que foram um DESASTRE para esses Países, quer levando-os à Formas Ditatoriais, amordaçando e tirando toda a Liberdade ao Povo! Infelizmente continua a haver, hoje, governantes, com essas características!!!

EXISTEM, no Mundo Democrático, muitas maneiras de adquirir profundos conhecimentos, Escolas e Cursos de Formação, para que NÃO FAÇAM PARTE DOS GOVERNOS ou LÍDERES – amadores, “paus mandados” a soldo dos Grupos Politicos, quer sejam da Direita ou da Esquerda – pessoas ávidas de PODER, de PRESTIGIO/NOME ou de Dinheiro. Infelizmente, SOMOS NÓS QUE ESCOLHEMOS ESSAS PESSOAS…!!!

Deixo aos outros intervenientes deste Painel um desenvolvimento clássico e permitam-me que vá buscar um exemplo bíblico que os Actos dos Apóstolos nos relatam (Act.6,3)…!
Uma crítica interna, logo no início da Igreja nascente, por haver alguma descriminação no serviço diário das viúvas helenistas ou de influência grega, levou os Apóstolos a criar um órgão de ajuda ou Diaconia, escolhendo 7 pessoas, com 3 grandes qualidades:
“BOA REPUTAÇÃO, CHEIOS DO ESPÍRITO SANTO E SABEDORIA” !
Estas 3 vetores incluem tudo o que é de bom num Lider, como também excluem o que é prejudicial !

Dai, TELEGRAFICAMENTE direi que um LIDER tem de:
A) ESCOLHER uma Equipa de Homens/Mulheres competentes e inteligentes;
1) ESTIMULAR e ABRIR novos caminhos para a sua equipe produzir resultados e alcançar sucesso.
2) Liderar pelo exemplo
3) TER inteligência coletiva e emocional
4) Saber tomar decisões
5) Saber reconhecer os méritos da sua Equipa
6) SABER DIALOGAR com os Parceiros e também com a OPOSIÇÃO
7) Reconhecer os limites pessoais.

Pe António de Oliveira Colimão
Restelo, Lisboa, 21 de Maio de 2020.  

LIDERANÇA PROFISSIONAL DA NAÇÃO – Timor Leste/Lorosa’e

 

LIDERANÇA PROFISSIONAL DA NAÇÃO

Em Ritual de Umalisan, na nossa Casa Sagrada Laklomantelo, ago-set2014

 

“É necessário e urgente formar a nova liderança”: foi assim que, em 2010, D. Basílio de Nascimento, Prelado da Diocese de Baucau, nos solicitou para a Diáspora assumir este DESAFIO nacional. Foi a decisão tomada pelo Estado, pela Igreja e pela Sociedade Civil, no seguimento de um conjunto de “retiros”/encontros realizados em Maubisse, no sopé de Ramelau/Tatmailau(Avô Mailau), a mais alta montanha lusófona.

“Formar a nova liderança” implica, naturalmente, o triângulo de formação: 1. Formar a Liderança da Nação; 2. Formar as Lideranças Nacionais; 3. Formar o cidadão/Cidadania.

A partir de 2013, esse desafio passou a ser assumido, sucessivamente e em primeira pessoa, pela Diáspora Lusófona representada pelas nove Comunidades/Estados e por Goa/Damão/Diu, Macau e Galiza – Pró-Academia Galega da Língua Portuguesa. Em 19-21 de novembro de 2015, no Salão Nobre da Academia das Ciências de Lisboa, fundaram a PISCDIL – Plataforma Internacional da Sociedade Civil da Diáspora Lusófona – constituindo-se como plataforma de ligação entre a diáspora e o interior das Comunidades/Estados e das comunidades lusófonas espalhadas por todos os recantos do Mundo.

A cada um dos membros da Vice-Presidência da PISCDIL e a cada representante do interior das Comunidades Lusófonas caberá a decisão de apresentar a sua perspectiva pessoal, ao assumir, então-hoje-futuro,  o exemplar compromisso, e pro bono, de, em primeira pessoa,  concretizar este mais alto e nobre desafio: “Formar a Liderança da Nação e formar as lideranças nacionais, com o SONHO de tornar a LUSOFONIA UMA POTÊNCIA MUNDIAL”.

“Liderança Profissional da Nação” constituirá o centro da partilha de perspectivas pessoais das Vice-Presidências da PISCDIL, através de ZOOM, neste próximo dia 30 de maio, dado que que, em virtude da presente pandemia, foi   adiado para 24abr2021 o agendado Debate à Distância em torno de “Gestão de Instituições de Ensino Superior” e a Liderança da Nação, por Rodrigo Lourenço, Instituto Politécnico de Setúbal (IPS).

Da minha parte, falarei simplesmente do genuíno SONHO dos nossos povos de Timor Leste/Lorosa’e. Ou, mais concretamente, vou-me limitar ao Modelo Ancestral Mamba’e de Liderança da Nação, aquele que continuou vivo e actuante durante os mais de quinhentos anos da presença portuguesa/cristã e indonésia e que continua inegavelmente vivo, hoje/2020, apesar de intentos neocolonialistas ou autocolonialistas de alguns agentes da actual fase de refundação da nossa milenar História.

A experiência pessoal, desde a infância até ao presente, responde-me às questões: “Como é que o modelo ancestral de Liderança da Nação continuou vivo e operante até ao presente?” “Continuar vivo hoje e para o futuro significa pretender continuar um povo primitivo, à margem das nações mais avançadas e bem-sucedidas?” Paralelemente aos múltiplos paradigmas dos outros povos, com os quais tenho a dita de poder conviver, tenho optado sempre pelo essencial do conjunto de visões que me foram transmitidas pelos nossos antepassados de geração em geração. Como? – Ser-eu-mesmo, sendo-outro/outros. Quanto mais e melhor conheço os outros (pessoas e povos) mais vejo que somos iguais no essencial e que nos diferenciamos apenas no acidental, isto é, nas FORMAS de pensar, agir, etc.

 

  1. Formar a Liderança da Nação

Sempre Nações e aborígenes/selvagens, antes da chegada dos portugueses à Ilha, os habitantes já estávamos organizados em RINOS.

  1. Ximenes Belo, “Os Antigos Reinos de Timor”, p. 17, cita um cronista de 1522:

“O cronista da nau Victoria, da Armada de Fernão Magalhães, o italiano Francisco António Pigafetta, já mencionara nomes concretos de reinos na Ilha de Timor. (Parágrafo) Na sua crónica relata que, em 1522, tinha chegado à costa norte de Timor. Depois de ter estabelecido contactos com os chefes de Amaban e Balibó, a nau dirigiu-se para a costa sul, onde ele anotou a existência de dois reinos de Oebic, Cabanaza (Camanassa), Suai e Lichosam.” (Parágrafo) Sobre o ambiente (do encontro com o chefe de Amaban) Pigafetta  percebeu que o chefe vivia luxuosamente, servido por numerosas servas nuas, todas adornadas com brincos de ouro com ‘borlas de sede pendentes, bom com amuletos de ouro e bronze’, e percebeu que os homens exibiam ainda mais jóias de ouro que as mulheres”.

Nasci muito próximo do início da segunda guerra mundial, cresci e fui educado num duplo ambiente político, onde Portugal tinha passado de Monarquia para República, mas nós continuámos no ancestral regime de Monarquia electiva. Fui vendo, sentindo e aprendendo que herdávamos coisas dos nossos antepassados, dos mais próximos aos mais longínquos do in illo tempore; que tínhamos uma própria visão antropogénica/lógica e cosmogénica/lógica, com base nas quais: organizávamos o tempo e o espaço, do material/físico ao imaterial/metafísico; configurávamos e criávamos princípios e normas práticas e modelos de relações originariamente nossas, modelos relações humanas e de liderança  que apresentaremos a seguir.

Desde a primeira infância tinha a percepção de relações triangulares internas inerentes à nossa família e ao contexto: o triângulo filho-irmãos-pais; o triângulo Knua-Suku-Liurai; o triângulo Umalisan (ritual)-Umakain(genealógico)-Sangue/ADN; análogas relações internas com os outro Reinos – pactos de sangue e pactos de afinidade com os outros reinos coabitantes da Ilha, também estes com congéneres visões de triangularidade relacional; Relações Externas dos com os portugueses e malaes, que consideramos os nossos irmãos mais novos, pertencentes, portanto, estruturalmente às nossas famílias. (Cf. Elizabeth Traube, passim)

Na década da de 50, passei a estudar, primeiro na casa dos Salesianos em Dili, depois no Colégio de Maliana e a seguir no Seminário de Nossa Senhora de Fátima de Dare, Dili, gerido posteriormente pelos Jesuítas; e, na década de 60, passámos a estudar no Seminário de São José de Macau. Foram  instituições nas quais se formavam sacerdotes, mas também, por benefício colateral, também se formou a maior parte daqueles que que vieram a constituir NOVA LIDERANÇA TIMORENSE. (Cf. Jill Jolliffe, p. 29)

Em 1967-73, com o meu colega Áureo Gusmão, cujo pai foi nosso professor na Escola Primária, servindo a Igreja, por um lado, e aos nossos reinos, por outro, trabalhámos simultaneamente com a dupla força política atrás referida, tentando uma cooperação construtiva entre os complexos triângulos de liderança. Concentrando-nos na formação de recursos humanos, económicos e financeiros, começamos a formar Professores e Catequistas, crianças e jovens, e, através de “retiros”, a população em geral. Lançámos as bases para uma visão de REGIONALIZAÇAO, onde cada uma maximizaria os seus recursos humanos e materiais para o serviço interno e para partilhar o excedente com as regiões geograficamente menos privilegiadas – SONHO/UTOPIA de juventude! Neste sentido, melhoramos a plantação de café, obtivemos da Diocese um empréstimo de 10.000$00 (dez mil escudos) para criação de gado, lançámos cooperativas de produção local para proceder à sua comercialização, através de acordos com os comerciantes chineses, aproveitando o vaivém dos seus transportes de mercadorias.

“Em 1969, D. José Joaquim Ribeiro e a Diocese de Díli promoveram a Fundação Bispo Medeiros com vista a fomentarem a formação dos jovens timorenses, porque ele acreditava “proféticamente” que: “[d]entro de 10 anos irá haver uma grande reviravolta em Timor. Portanto, é urgente a formação de quadros timorenses da Igreja e da sociedade civil”. (Cf. Google: file:///L:/Extras/bin/-%20backup%20-%2015nov2016/SÍTIO%20-%2031ago2017/SÍTIO25fev2015/PAI/D.%20Joé%20Joaquim%20Ribeiro/José%20Joaquim%20Ribeiro%20–%20Wikipédia,%20a%20enciclopédia%20livre.html )

Assim, a partir de 1970, no âmbito do referido projecto Fundação Bispo Medeiros, a seguir aos meus colegas anteriores, colegas de Dare e de Macau, D. José Ribeiro mandou-me, em 1973, para fazer o Doutoramento em Filosofia na Universidade Gregoriana de Roma, Itália. Ao mesmo tempo e a partir desse ano, o Governo Português concedeu, finalmente, bolsas de estudos a estudantes timorenses.

Em 1974, escreve Barbedo Magalhães, Vol I, p. 161:

“O último governador de Timor Português, Coronel Mário Lemos Pires, considerava que descolonizar era transferir para o timorense a gestão dos assuntos que lhes diziam respeito”

Mas, “timorenses”, para o governo português não era a nossa tradicional liderança. Eram, pelo contrário: os reis vassalos de Portugal, escolhidos e elevados aos mais altos postos militares (D. Ximenes Belo, (Antigos Reinos, p,11); os “assimilados”/civilizados (Luna de Oliveira, Vol. IV, p.321); aqueles com sangue ou mentalidade de topázios/topasses (d. Ximenes, Vol. I,pp165-170; Luna, Vol. I, p. 99; e Frédéric Durrand, Hist. T-L, que descreve assim na p. 59):

“ A partir de meados do século VII, os topasses, uma comunidade de mestiços portugueses e timorenses que viviam em Lifau (Oecussi), conquistaram poder relativamente aos reinos tradicionais. (parágrafo …) Os topasses persistiam muito ligados a Portugal, mas não permitiam que lhes impusessem um governador do exterior. (parágrafo) A instauração pelos portugueses de um tributo pagar pelos reinos, a finta,  por volta de 1703, provocou numerosas rebeliões. (parágrafo) Nos anos 1760, os topasses mataram os representantes portugueses e holandeses. E 1769, o governador português foi forçado a abandonar Lifau, indo fundar uma nova capital em Dili.”

Com efeito, a partir de maio de 1974, (Barbedo, ibidem, p. 162) foram sucessivamente criados partidos políticos (Udt, Asdt/Fretilin, Apodeti, Kota, ADITLA); nos finais de dezembro de 1974, uma autodenominada Comissão Promotora da Reorganização do Conselho de Lautém, apresentou-se para preparar as eleições , que, afinal, foram só realizadas em Lautém, entre fevereiro e maro de 1975, certificadas como legitimamente democráticas por jornalistas e diplomata ocidentais.161; que nos princípios de agosto de 1975, quase todas as eleições tinham já tido lugar  na generalidade do território; que “Esta primeira experiência democrática tornou-se num importantíssimo e bem sucedido passo no processo de descolonização que, deste modo, começou a te uma efectiva concretização bem sucedido no processo de descolonização”.

Porém, foi tão “democrática” e tão “bem sucedida descolonização”, que, quase de seguida, tais partidos políticos começaram a desentender-se entre si e a entrar na trágia guerra civil, todo sedentos e determinados a apoderarem-se do poder colonizador, obrigando o governo português  a refugiar-se em Ataúro e a Permitindo/“justificando” a invasão indonésia, com toda as tragédias até ao  massacre do cemitério de Santa Cruz, em 12nov1991, e até à chacina das milícias indonésias em 1999. (Barbedo 159-169).

Sendo verdade a hipótese, o maior mal que os governantes portugueses de então fizeram aos timorenses não foi o abandonarem o território. Foi, sim, terem orquestrado as condições/estratégias para que nós nos matássemos uns aos outros, até reconhecermos que “os nossos irmãos mais novos” nos abandonaram e nos deixaram entregues à nossa sorte de procurar outras sortes. Genial estratégia: não serão então eles a abandonarem-nos, mas, pelo contrário, nós a abandoná-los. Maquiavélico?

Espantosa ironia da História: anticolonialistas que se tornam colonialistas/neocolonialistas! Pretendem fazer, em poucos anos de independência nacional, o que os portugueses não conseguiram em quase quinhentos anos: substituir as essenciais estruturantes de uma história milenar por paradigmas estrangeiras, tudo em nome da modernidade/modernização, do progresso, de novos saberes e ciência, de bem-estar! Substituir Knuas, Sukus e Reinos por Freguesias, Municípios e Governadores. Para tal catalogam o Poder Tradicional de analfabetos, incultos, retrógrados, tiranos, exploradores do povo e de seus bens, tradicionalistas voltados para o passado e sem capacidade de ver o presente, e muito menos de olhar para o futuro, a qualquer dimensão que seja.

1974-75 representou a réplica de 1700.

 

Modelo de Liderança da Nação

O nosso Modelo Mamba’e da Liderança Profissional da Nação não é uninominal/unipessoal. É colegial e triangular e integrado numa rede/núcleos de multitriangularidades relacionais, geridas por acordos inter e intra partes, assumidos como condição de paz e de cooperação, condição de “viabilidade, estabilidade, capacidade e qualidade” de ambos os parceiros: condição medida pela objectivação dos termos da própria relação através de objectos materiais e imateriais e suas recíprocas dádivas/trocas – obrigações de dar-receber, receber-dar, etc.

Tal modelo é constituído é caracterizado pelos seguintes triângulos: Liurai (Executivo); Lianain/Katuas (conhecimento e ciência); Kukunain (Espiritualidade). Usando os termos do modelo teológico judaico-cristão: são três lideranças iguais e distintas, mas não são três lideranças: são uma e mesma liderança. Como todos os processos de resiliência, a crise ou a captura de qualquer dos ângulos não arrasta a captura dos outros dois e a reposição do todo obedece estratégias secularmente experimentados e aplicados. As autoridades consagradas de qualquer dos ângulos não se expõem ao contacto directo com os alheios, na medida em que são representadas por emissários, rigorosamente instruídos para transmitir apenas o cognoscível e permitir, assim,  que os estranhos possam saber apenas o que podem saber e, em particular, o que e como pretendem saber. Como efeito, ao saber o que e como pretendem saber ficará satisfeita a sua curiosidade sobre realidades e questões multiseculares. Todavia, tudo o que lhes lhes transmitido representava uma frincha a através da qual podem entrever e reconstruir as partes e/o/no todo. Afinal, uma condição tão simples e elementar: dominar as parte não significa natural e necessariamente dominar o todo! Qualquer questão que envolva a Nação, em qualquer das suas dimensões, passa pela análise, decisão e compromisso dos três ângulos.

Entre 2000 e 2002, estando a dar aulas no Seminário Maior Interdiocesano São Pedo e São Paul, na sua reconstrução em Dili, fui apresentar-me à nossa Casa-Mãe, à qual estão incondicionalmente ligadas todas Casas, tanto locais como de toda a Nação Mamba’e, com o propósito de saber o meu lugar e o lugar da nossa família.  Foi-me indicado o preciso e simbólico lugar e nome. Tal como em nossa casa assim beijei as mãos dos Pais de todos, com um profundo sentimento de mim próprio dentro da Casa, isto é do espaço e do tempo fundador e vivo no presente.

Interdita durante o tempo de colonização, dado a sua poderosa importância religiosa e também política, a reconstrução e a consagração da Casa Sagrada, com o ritual de Umalisan, constituiu a primeira manifestação em cada uma das comunidades. A nossa Umalisan só foi possível em 2014. Deixando para outro momento o tão complexo e histórico EVENTO, refiro aqui apenas umas notas para enquadrar a presente questão sobre a Liderança Profissional da Nação. Por suas funções próprias e consagradas, o Ritual foi orientado pelo Kukunain, com a participação dos Lianain e Katuas, dos Liurais e, obrigatoriamente, de todos os pais, filhos, netos, bisnetos, incluindo bebés. No final de sete dias ininterruptos, o Ritual terminou com beija-mão dos Liurais, um grupo por volta de dez pessoas, alguns jovens, outros de meia idade e outros mais velhos. O Novo Poder não foi nem podia ser convidado. A sua presença na cerimónia de encerramento teve o mesmo significado e importância que o antigo Poder Colonizador.

 

 

Liderança profissional

Profissional é aquele que desenvolve uma actividade para qual está vocacionado/nascido-para e com formação própria. Amador é aquele que desenvolve uma actividade para a qual não está vocacionado/nascido-para e não tem formação própria no campo, mesmo que tenha um conjunto de diplomas curriculares (Licenciaturas, Mestrados, Doutoramentos, Especializações, Pós-graduações) noutros campos.

A preparação da triangular Liderança da Nação engloba o arco de longevidade geracional, incluindo experimentados critérios de selecção e adequada formação multidimensional. Inicia com a primeira infância e termina com a morte ou com o termo de pessoais condições físicas e eticomorais para o cumprimento das suas funções. Lembro-me que tinha eu por volta de nove anos, quando um grupo de emissários se apresentou em nossa casa, para convidar para a chefia (creio que se tratava de Knua) o meu irmão mais velho a seguir a mim (éramos quatro irmãos e cinco irmãs), por volta de 10/11 anos de idade, nos inícios da década de 50. Por um lado, fiquei satisfeito por os meus pais irmãos não terem aceitado. Com efeito, sentia eu, que era uma exposição complexa ou violenta servir duas lideranças contrárias, utilizando a estratégia de dizer sim quando é sim, e, ao mesmo tempo, dizer sim quando é não – mentiras estratégicas ou diplomáticas.

O sucesso político contemporâneo da secular liderança da Nação, ameaçada por novos poderes e desafiada pela onda de múltipla globalização, exige o adequado conhecimento do passado para a sustentabilidade do futuro: representa uma estratégia perante a qual não é nova para a nossa Liderança da Nação a convicção de John Churchill: “ Quanto mais longe conseguirmos olhar para trás, maior é a possibilidade de olhar mais longe no futuro” (Pensar como Churchill, Daniel Smith, Ed. 2020, 2015, p. 31).

 

  1. Lideranças Nacionais

Sabemos que a Nação/Reino não pode ser concebida sem os seus Sukus, Knuas, famílias, e cada indivíduo. Sabemos, em contrapartida, que, vivendo e trabalhando cada uma das infraestruturas independentemente das outras e pretendendo exclusivamente os seus interesses próprios ameaçam a debilitação e a destruição de uns e de outros.

O sentimento recíproco de pertença à Casa e a Família marca a natureza e o caracter da relação ou do relacionamento entre a liderança da Nação e as lideranças nacionais. Faz toda a diferença o sentimento de que “ele” (interlocutor) é nosso, é um dos nossos. A intuição de que “ele” não é nosso ou não é dos nossos, na medida em que existe fosso/vazio de identificação faz com que nós o tratemos com a maior e a melhor das falsidades, fazendo passar por verdade e por real o que não o é, tanto nas expressões verbais como nas interacções concretas. Pelo contrário, a descoberta da mútua reciprocidade faz com que sejamos tudo ou que demos tudo para ele. A relação entre o triângulo de Liderança da Nação e as Lideranças Nacionais e o indivíduo é de caracter de paternidade, enquanto a sentido contrário de filiação. Daqui o código comportamental de “fraternidade”, irmão. Quem não se encontras nesta dimensão tem dificuldades em utilizar estas expressões. É indicador de diferenciação entre o autóctone e o topaz/sse.

A consciência e o real sentimento de representação explica a recíproca atitude entre a liderança da Nação e as lideranças nacionais e os indivíduos. Está na base do muito oriental beija-mão, inclinação profunda, ajoelhar-se, fazer escolta à pé (hoje diferente) perante a Liderança da Nação. Explica o respeito, a submissão, a defesa a ponto dar a própria vida. Afinal, o triângulo da Liderança da Nação é a minha própria representação, legitimada pela minha opção no momento de eleições nacionais. Sendo um atributo de natureza oficial, é vedado ao empossado renunciar a qualquer das prerrogativas que são próprias das suas funções, prerrogativas que para o estranho são folclore para o turista ver. Na realidade, é o que distingue a liderança profissional da liderança amadora.

Em contraposição a tais sentimentos de representação/representatividade da Nação, as lideranças nacionais são orientadas pela consciência de que faz parte de um todo, assim como os membros e os órgãos fazem parte de um e mesmo corpo. Alguém estima mais uma parte do seu corpo que outra, por exemplo, em termos de saúde e de estética? São relativamente autónomas entre si, mas orientam-se segundo o mesmo paradigma comportamental e social, empresarial e comercial, etc. (Cf. Elizabeth Traube, passim):

“Buti (B) ba rat: nor Meta (M) fe tlut.

Meta (M) ba natou: nor Buti (B) fe naur”:

“B não chega: completa-se com M. M não é suficiente: melhora-se com B. A reciprocidade, a complementaridade e a reversibilidade entre ambos significa e mede a nova realidade que que é criada/produzida com a relação. A ausência da objetividade desta relação é indicadora da relação real, construtiva, transformadora, inovadora, etc., num mundo onde tudo caminha e cada coisa tem o seu próprio caminhar (Sauna mret mret: seu caminhar).

O espaço das lideranças nacionais representa o lugar de todas e quaisquer ONGs, desde partidos políticos a todos os níveis de empreendedorismo, organizações de religiosidade, que representam formas de espiritualidade, organizações sociais, culturais, artísticas, científicas e tecnológicas, etc.

Quando estas lideranças nacionais não se orientam e não conseguem estabelecer entre si o compromisso da elementar relação objectiva e construtiva entre B e M, entram numa competitividade negativa, com consequências igualmente negativas para si próprias e para a Nação.

Knuas, Sukus e Reinos – Regiões e Regionalização – representam pessoas reais e concretas a viver e desenvolver as suas actividades diárias em espaços concretos e em tempos formal ou informal/consensualmente definidos, ou seja, condições espaciotemporais onde têm a sua Casa Sagrada, inspiradora e modeladora da sua casa familiar. Caminham com o caminhar de todas as coisas, onde cada passo mantém a referência ao a-quo (ponto de partida) e ao ad-quem (ponto seguinte e de chegada). Alterar ou destruir esta estrutura triangular é gerar efeitos genocídios identitários e históricos, sociais e culturais; é transferi-las para novas geometrias e novas matemáticas de espaços, traçadas à imagem e pelos intentos e pelas regras e leis daqueles que a transferem e arquitectados para o serviço destes. Esta transferência/transformação tanto pode ser física como mental. Toda a diferença reside no ser ou não-ser da Nação ou ser nacional a estratégia real, dentro dos conceitos definidos.

Enquanto detentores de espaço físicos e temporais de desenvolvimento diário e programado de actividades, Knuas, Sukus e Reinos constituem fontes de desenvolvimento económico e financeiro. Na sua actividade, experimentada durante anos, conhecem as condições de potencialidades e limitações de exploração e seleccionam os meios mais adequados que as novas tecnologias lhes podem trazer, ao mesmo tempo que formam os seus recursos humanos. São autores/actores da competitividade nacional, cujas potencialidade e limitação os próprios conhecem melhor que ninguém. E tudo isto só é possível se for orientado por um PERD (Plano Estratégico Regional de Desenvolvimento) orientado por um PEND (Plano Estratégico Nacional de Desenvolvimento), ambos de Longo, Médio, Curto e Curtíssimo Prazo. Trata-se de evidentemente de uma perspectiva política de REGIONALIZAÇÃO.

Esta estrutura triangular de células da Nação representa e possibilita a competitividade lideranças nacionais. E esta competitividade é dinamizada pelos programas de acividade, tradicionais e novos, conjugados com os referidos PEDs (Plano Estratégico de Desenvolvimento). Acredito eu que o Orçamento Nacional adequadamente atribuído a esta estrutura celular, com grandes, médios, pequenos e micro empreendimentos possibilitará maior, melhor e mais acelerado desenvolvimento que fora dela.

A partidocracia representa tal espaço “fora dela (estrutura triangular celular)”.

A partidocracia nunca teve qualquer espaço na nossa multisecular História. Com o seu sistema quadrienal ou quinquenal de eleições legislativas presidenciais, com alternâncias e alternativa de planos em avulso e sem continuidade, conduzirão a Nação ao máximo nível competitividade com as sua congéneres mais bem sucedidas?  Mesmo com um PED geracional (Plano Estratégico de Desenvolvimento), ou seja, de Longo Prazo, a partidocracia conseguiria melhores processos e resultados? Não teria melhores hipóteses um sistema político baseado nas regiões, suas cidade/sukus e aldeias/knuas, onde cada cidadão tem a sua casa e suas capacidades económicas e financeiras? Onde conduzirão a Nação com as coordenadas ideológicas de uma DEMOCRACIA CAMELEÓNICA de Direita, Esquerda, Centro-Direita, Centro-Esquerda, Extrema-Direita, Extrema-Esquerda, Social, Social-Democrata, enfim, democracias ou suas formas que se excluem umas as outras, na medida em que a disciplina partidária dita que o próprio Partido e os militantes, enquanto  são de um partido não podem ser simultaneamente de outro partido e que deve negar, alguns radicalmente e sistematicamente, o programa político do adversário. Qualquer cidadão pode liderar a Nação. Basta que tenha um ou muito mais diplomas curriculares em qualquer ciência ou tecnologia, que seja um empresário de sucesso, um professor do ensino superior ou catedrático, com experiência governativa (partidária), que seja figura mediática, que prometa mesmo que saiba que não vai cumprir, que seja excelente retórico, etc.

Tal com afirma Churchill:

“Os governos democráticos avançam sem rumo pela linha de menor resistência, têm vistas curtas, satisfazem-se com sopas e esmolas, e suavizam o trajeto com agradáveis lugares comuns” (Idem, ibidem, p. 99).

 

As primitivas lideranças triangulares nacionais marcam a diferença entre uma Política real vs uma Política Ideológica.

O desestruturação deste ancestral modelo de triangular de liderança da Nação gera a situação descrita por Manuel Castells, p. 434:

“Neste fim do milénio, o rei e a rainha, o Estado e a sociedade civil estão todos nus, e os seus filhos-cidadãos vagueiam, em torno de uma série de lares adoptivos, à procura de protecção. (Parágrafo). O dissolver da identidade compartilhada, que é equivalente à dissolução da sociedade como sistema social relevante, parece traduzir bem o que se passa no nosso tempo.”

 

 

 

  1. Formar o cidadão e a consciência de cidadania.

Com tudo o que foi anteriormente dito, creio que qualquer irmão lusófono, ou não, tem indicadores para saber que tanto a Liderança Profissional da Nação como de cada indivíduo na consciência da Nação e dos seus direitos e deveres nacionais começam com a infância e terminam com a morte

Fiel à sua milenar estrutura de liderança triangular e democrática: Timor Lorosa’e será um REINOS UNIDOS ou REGIÕES UNIDAS DE TIMOR LOROSA’E (RUTL). Não sou o único a acreditar assim! SONHO/UTOPIA?

Afinal, não sou o único a acreditar no nosso modelo triangular de liderança da Nação!

Referências da actual Constituição:

  1. Artigo 5º – Descentralização. (Revisão constitucional: de “Descentralização” para REGIONALIZAÇÃO.
  2. Artigo 22º – Timorenses no exterior.
  3. Artigo 64º – Princípios de renovação.
  4. Artigo 72º – Poder local.
  5. Artigo 156º – Limites materiais da revisão constitucional: Alínea 2. “As matérias constantes das alíneas c) e i) podem ser revistas através de referendo nacional, nos termos da lei.”: c) – A forma republicana de governo; i) Bandeira Nacional.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

(Continuaremos no corpo do Artigo)

 

O presente texto é a síntese de um Artigo que estou a escrever e que será publicado, logo que uma parte esteja concluída, através de: http://plataformadadiasporalusofona.orghttps://timor-diaspora.org/

 

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Bibliografia

  1. Elizabeth G. Traube, Cosmology and Social Life, Ritual Exchange among the Mambai of East Timor, The University of Chicago Press, 1986.
  2. D. Carlos Filipe Ximenes Belo, Os Antigos Reinos de Timor-Leste, Porto Ed.; A História da Igreja em Timor-Leste, 450 anos de Evangelização, Ed. Fundação Eng. António de Almeida, 2013.
  3. Manuel Castells, O Poder da Identidade, Era da Informação: Economia, Sociedade e Cultura, Ed. Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 2003.
  4. Jill Jolliffe, Timor Terra Sangrenta, Ed. O Jornal, 1989
  5. Barbedo Magalhães, “Timor-Leste, Interesses internacionais e actores locais”, Ed. IPAD, 2007.
  6. Luna de Oliveira, Timor na História de Portugal, Ed. Fundação Oriente, IPAD, Lisboa 2004.
  7. Pensar como Churchill, Daniel Smith, Ed. 2020, Publito, Braga, 2015.
  8. Frédéric Durand, História de Timor-Leste, da Pré-História à Actualidade, Ed. Lidel, 2009.
  9. António Duarte de Almeida e Carmo, O Povo Mambai, contribuição para o estudo do povo do grupo linguístico Mambai – Timor, Instituto Superior e Ciências Sociais e Política Ultramarina, Lisboa, 1965.