Novembro, 2017

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OBRA CATÓLICA PORTUGUESA – LUSOFONIA NO MUNDO

O ORFEÃO DO SPORT LISBOA E BENFICA

Vai cantar, pro bono,  para os Lusófonos mais distantes e mais esquecidos:

Aqueles que Dr. Fernando de La Vieter Nobre e o investigador e escritor Joaquim Magalhães de Castro vão redescobrindo ou reencontrando por todos os recantos do mundo.

 Maestro José Eugénio Vieira, no Salão Nobre da Academia das Ciências de Lisboa, preparando o espaço

Que o pulular inumerável de iniciativas lusófonas – seminários, conferências, congressos, espectáculos, etc. – não se confinem às cidades ou às periferias, mas que possam chegar aos lusófonos mais distantes e mais esquecidos durante tanto tempo, através de séculos.

 

            

 

Que marquem a vossa presença e, enchendo o Salão Nobre da Academia das Ciências de Lisboa, façamos ver aos irmãos distantes e mais esquecidos que não nos esquecemos nenhum deles.

“SE OS OUTROS SE CALAM, CANTEMOS NÓS!”

 

 

LUSOFONIA EM DAMÃO E DIU – Pe. António Colimão

A Lusofonia em Damão e Diu, Silvassá e Kurlai

Pe. António Colimão

Assinatura de um dos Fundadores da PISCDIL – Plataforma Internacional da Sociedade Civil da Diáspora Lusófona ou Plataforma da Diáspora Lusófona

 

Conferência proferida em 14out2017, no Salão Nobre da Academia das Ciências de Lisboa

O PORTUGUÊS DE DAMÃO E DIU

 

Ex.mos Senhores:

Presidente de Academia das Ciências de Lisboa,

Muito Ilustre Prof. Dr. Artur Anselmo,

Presidente da Direção do PISCDIL,

Dr. Alberto Araújo,

Membros da Direção,  Sócios e ilustres convidados,

Amigos e Amigas:

 

UNS PENSAMENTOS:

1 – Linguagem, como também a faculdade de falar, é o maior Dom de Deus à Humanidade

2 – A Linguagem é a veste do Pensamento — Johnson

3 – Uma grande utilidade da fala é para esconder o nosso Pensamento – Voltaire

4 – Linguagens, como os nossos corpos, estão num fluxo contínuo e têm necessidade de se recrutar, para substituir as palavras que constantemente caem em desuso – Felton

 

Sublinhar 4 pontos:

 

  • A PISCDIL – Representante de Angola
  • A AFDDS (Associação Fraternidade Damão-Diu e Simpatizantes) – João Paulo Colimão
  • O Orador/Palestrante – João Paulo Colimão
  • O Tema «Lusofonia em Damão, Diu, Silvassá e Korlai» – Crioulo Asiático/Português – Pe António Colimão

 

A PISCDIL – (Plataforma Internacional da Sociedade Civil da Diáspora Lusófona) – com o presente projeto que, tendo começado por ser timorense, em 2010, passou a ser das diásporas das nove Países/Comunidades (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guine/Bissau, Moçambique, Portugal, S. Tomé e Príncipe, Timor, Guiné Equatorial, bem como a nossa ASSOCIAÇAO Fraternidade Damão-Diu e Simpatizantes, os territórios de Macau e igualmente a Região da Galiza (Espanha), a partir de 2013-

Tem por objectivo “A FORMAÇÃO EM LIDERANÇA NACIONAL E CIDADANIA».
1 – QUER  no âmbito de Formação Curricular  que será coordenada pela ACL.

  • – Quer pela vertente Não-Curricular que se baseia em DEBATES, coordenados pela PISCIDIL, i.e, a nível nacional ou de cada País;

 

2-   A AFDDS (Associação Fraternidade Damão-Diu e Simpatizantes)

ASSOCIAÇÃO FRATERNIDADE DAMÃO-DIU E SIMPATIZANTES

A AFDDS, a sigla do título, nasceu já há mais de 34 anos (1983), graças à «carolice» de alguns damanense (gente de Damão) e diuenses (de Diu) e gente de Silvassá, Nagar Havely, bem como de muitos amigos e Simpatizantes da nossa causa, todos residentes em Portugal.

O grande objectivo, entre outros, é PROMOVER, DIVULGAR, INSENTIVAR, MANTER, etc, a CULTURA INDO-PORTUGUESA, ainda bem viva, nestes territórios, que presentemente, embora dentro do Estado de Gujarate, está sob a Administração do Governo Central em Nova Delhi, conhecidos como UNION TERRITORY.
A língua falada pela população indú e muçulmana

é «gujarati», sendo o português pela comunidade cristã. O inglês está a entrar com força, não faltando outras línguas indianas e principalmente a língua oficial da Índia, o Hindi.
É admirável a convivência entre as diversas comunidades, com credos diferentes.
Portugal deixou uma marca indelével em Damão e Diu. Além de Monumentos, deixou a alma lusa, por isso, os cristãos teimam em falar e considerar o português, como sua língua materna e a Administração desses Territórios aceitam essa situação.

  • – Orador/Palestrante

ANTÓNIO DE OLIVEIRA COLIMÃO, natural de Silvassá, Nagar Avely, antigo Estado da Índia Portuguesa, que era um dos dois Concelhos do Distrito de Damão, do Antigo Estado da Índia Portuguesa, hoje, pertence à Union Territory, juntamente com Damão e Diu, administrados pelo Governo de Nova Delhi, India.

Estudou as primeiras classes em Damão e Silvassá, onde estudou canto e música, bem como as línguas: Guzarate, Hindi e Inglês.

Em 1952 ingressou no Seminário Menor da Sociedade Missionária do Pilar em Goa, onde fez os estudos liceais, filosóficos e teológicos, tendo sido ordenado sacerdote, em 2 de Dezembro de 1964, em Bombaim, quando o Papa Paulo VI, hoje Beato, visitou Índia.

Teve um tirocínio pastoral teórico, em Bombaim, e a seguir fez uma rica experiência entre os aborígenes, durante 6 meses, em Orissa.

Estou Ciências Políticas na Universidade de Karwar e, durante 6 anos foi Professor de Canto e Música no Seminário Menor e Seminário Maior do Pilar, em Goa.

Em Junho de 1970 chegou a Portugal, tendo trabalhado na pastoral em Ajuda e Carcavelos, como assistente. Em Outubro de 1983, foi nomeado Pároco de Cruz Quebrada (até 1992).

Foi em Cruz Quebrada, onde, com alguns leigos de Damão e Diu, fundaram a AFDDS.

Em 1992 recebeu a tarefa de ser Pároco/Prior de S. Francisco Xavier, Lisboa, onde construiu a emblemática e polémica Igreja de S. Francisco Xavier no Restelo, em forma de Caravela. Trabalhou até 2016!

 

 

  • O Tema «Lusofonia em Damão, Diu, Silvassá e Curlai» – Crioulo Asiático/ Português falado nesse mundo-

O PORTUGUÊS DE DAMÃO E DIU

         Começo com um excerto do conhecido e douto estudioso dos crioulos e ramificações que a língua portuguesa deixou em todo o mundo por onde passou, Mons. Rodolfo Dalgado. Embora esse ilustre mestre nunca tivesse estado em Damão, nem ouvido falar a língua damanense, (segundo a sua afirmação de que «não tendo nunca estado em Damão, nem ouvido falar o seu crioulo») com a colaboração de amigos e entre outros, o Dr. António Francisco Moniz, Mons Dalgado cita o dr. José Leite de Vasconcelos que analiza gramaticalmente a fábula na sua tese doutoral – Esquisse d’u Dialectologie portuguese – onde diz: «ce n’est  que celle-ci qui est en vrai créole».

Há anos rabisquei uns considerandos sobre o Português de Damão e Diu.

Em Damão é conhecida como:

  1. a) «Língua de Badrapor» por ser falada principalmente pelos cristãos portugueses (gente das bandas de Tarapor, donde provavelmente teria nascido esse termo), de então, que fugiram das perseguições dos Maratas e que foram acolhidos em Damão.
  2. b) Também, tinha um outro nome, «ÓSS-DÓSS» (VOSSA MERCÊ- DE VOSSA MERCÊ), mais coloquial e com certos laivos de complexo social, pois, muitas famílias não só não falavam esse português, como não permitiam que as crianças assim falassem .

Um dado curioso, aconteceu após a invasão das Tropas Indianas, pois, pouco a pouco, toda a gente começou a falar esse português, sem qualquer complexo, de algum modo transformando-o em língua franca entre os cristãos e alguns não cristãos. Igualmente curioso ou maravilhoso acontece, com muitas famílias damanenses e diuenses, da nova geração, espalhadas pelo mundo e que não têm estudo da Língua de Camões, porém em casa falam o «Óss-Dóss», e até as crianças que, na Escola, estudam o inglês ou outra língua oficial, em casa, com os pais, irmãos e familiares se exprimem com muita facilidade.

Não há muito, um jovem damanense que esteve, apenas 2 meses em Lisboa, para um curso de português, ministrado pelo Instituto de Camões, e que quando cá chegara tinha dificuldade em se exprimir corretamente, pois regressou a Índia, falando muito bem o português e, hoje, é um dos professores de português em Damão! Naturalmente, isto se explica pelo facto de a língua damanense ter a raiz e a génese da Língua Portuguesa!

Como referi atrás ainda hoje os cristãos falam, rezam e cantam na Língua de Camões e seguem com interesse a RTP Internacional, único elo de ligação, com Portugal e sua Cultura, que muitos responsáveis deste País ignora! Já ouvi um jovem padre jesuíta de Damão a fazer um lindo sermão para a Véspera da Nossa  Senhora do Mar.

Não tenho conhecimento que alguém tenha começado a escrever, neste dialeto/língua, a não ser missiva familiar de alguns damanenses em diáspora. Muitos jovens casais que não tiveram a sua formação em português continuam a falar e escrever aos avós e pais que gostam de ler e de ouvir na nóss líng.

Antes de mais, permitam-me que eu acrescente ao título desta Palestra/Conferência- O Crioulo de Damão-Diu –, acrescentando, Silvassá e também Korlay .

SILVASSÁ, Vila onde nasci e cresci, capital do Concelho de Nagar Avely, porque fez parte integrante do antigo Estado da Índia Portuguesa, sendo um dos dois Concelhos que formava o Distrito de Damão. Como tal, a maioria da população que lá vivia era oriunda de Damão e consequentemente a língua dos cristãos era o português falado em Damão.

Como é de nosso conhecimento Nagar Aveli, só fez parte do Antigo Estado da Índia Portuguesa, no Século  XVIII, pelo Tratado de Marata.

 

KURLAI –

Não fica muito distante da Metrópole BOMBAIM, cerca de dezenas de Km, e igualmente do Antigo BASSAIM (hoje, Vasai) que pertenceram Às Praças de Norte,O português de Korlai é uma língua crioula baseada no português, falado por cerca de 1.000 cristãos em uma área isolada ao redor da aldeia de Korlai no Distrito de Raigad do estado de Maharashtra, na Índia.

A vila fica na foz do rio Kundalika, em frente as ruínas de um grande forte português, que está localizado no Revdanda.

Breve comparação entre o português e o Crioulo de Korlai

Português Crioulo de Korlai
Muito obrigado Muit’obrigad
Eu Yo
Vós Wo
Você Usé
Ele/ela El
Nós No
Vós outros Udzó
Eles outros Eló
Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez ũ, doy, tre, kwat, sink, sey, set, oyt, nob, dey
Primeiro, Segundo Primer, Sigun
Toda a gente come e bebe com fartura Tud gent cumen beben tem fart

Crioulo de Korlai:

Maldita Maria Madulena,
Maldita firmosa,
Ai, contra ma ja foi um Madulena,
Vastida de mata!

Tradução para o português:

Maldita Maria Madalena,
Maldita Formosa,
Ai, contra Minha Vontade foi uma Madalena,
Vestida de mata! _____________________________________________________________________

Desde sempre fui um apaixonado de tudo o que é antigo, e como tal, também deste acervo linguístico que os portugueses de antanho nos legou, espalhados por 4 cantos do globo terrestre. São centenas de espécimen, espalhadas pelo mundo com suas variedades e nuances locais que mais embelezam e enriquecem a portugalidade. Nem toda a gente compreende esta riqueza e beleza que o povo português dessas localidades muito distantes do Continente Português criaram este elo de ligação, entre portugueses de antanho e os da terra local. Por isso, sou apenas um curioso, um apaixonado e não um «linguístico» na verdadeira aceção da palavra. ALIÁS, numa visita de trabalho com os membros da PISCDIL, no Edifício do Ministério dos Negócios Estrangeiros, em Lisboa, em março, após o meu regresso da Índia, segredei ao ilustre amigo Dr. Araujo que não me importava partilhar com a PISCDIL a experiência da minha estadia na india, cerca de 2 meses e meio, em Goa, Diu, Damão, Nagar Avely e Bombaim.

Em Damão estive cerca de 1 mês meio, 16 dias em Goa e 5 dias em Diu.

DAÍ nasceu este acontecimento de eu partilhar com V. Excias esse meu viver por essas bandas.

Quer por causa das minhas limitações, pois não há muito tive 3 intervenções cirúrgicas, quer para não vos maçar, após uma semana de trabalho, resolvi suavizar esta minha intervenção, pedindo colaboração dos sócios da AFDDS.

POR ISSO, não será monocórdica a minha intervenção:

João Paulo Colimão, fará uma apresentação breve, sobre o que é a PISCDIL, até porque, desde a nossa adesão à essa Plataforma Internacional, ele acompanhou em nome da nossa Associação. Igualmente fará uma descrição da AFDDS, nossa Associação e, por último, uma palavras sobre o Orador.

  1. Faremos uma breve projeção de extratos de vídeos, feitos em Damão, Índia, bem como de um grupo de damanenses, residentes no Reino Unido, em Peterborough, onde presentemente se encontram radicados e fazem da língua damanense o veículo diário de comunicação, entre familiares, vizinhos e amigos, mantendo vivo o Óss-Dóss!

Uma oportunidade única para nós ouvirmos falar essa língua de Camões, falada desde o século XVI e que se matem viva ainda!

  1. Uma breve dialogo entre 3 ou 4 pessoas residentes na Área de Lisboa e não se esqueceram da sua língua mãe!
  2. Leitura de 2 textos meus, escritos em 2008 e 2009, Manuel Couto e Ofélia Fernandes!
  3. Não sou especialista nesse falar, porque, em criança, éramos proibidos de o fazer, para evitar erros de ortografia, no estudo primário. MAS, TENTEI e até foi apreciado por alguns estudiosos e linguistas.

 

 

 

Um Mini-Coro, formado à pressa, do Côro «GOA, DAMÃO,DIU», braço cultural da nossa Associação. Iremos cantar cânticos de Damão, de Diu, de Silvassá, de Macau, de Timor, e também uma pequena amostra de Alentejo e de Coimbra.

 

1ª Parte de atuação do Mini-Côro da nossa ASSOCIAÇÃO-«GOA, DAMÃO-DIU»

6 pequenas canções.   

 

DAMNESE,

Ieu num sabe come iscrevê na noss ling de Damão, «óss-dóss» ô ling de «Badrapôr» !

Ôje é «Dí Mundial de Damão» porquê Gô tê celebrand «World Goa Day», Di quê illôt ganhô Estado Separado e Konkanim ficô ling oficial. PARABÉM pâ Goa!

Ki bom celebrá Di de Damão. Bam conservá noss cultur! Mâj cultur nã é só falá de ispetad de Damão, de bumbli assad cô sur, nem cantá Ai, Luzi, Luzi ô Dampaca, Dampuca, muit men falá de saudad e viva Damão… SIM é tud esse, maj un coisa ki faz um damnense é noss ling –óss-dóss- ! Muint gent tê vengonh pâ falá noss ling, num di de Fest, de Casment, tê chaman alguém pâ falá «High english» ô purtuguez fin e rebuscad. Un Poet portuguêz, Fernando Pessoa, iscreveu: «Minha língua, Minha Pátria»…

Damnense ki tê vivend em Damão ô Silvas, em Bombaim, em Gô, em Diu, ô em qualquer part de Índia, maj, ôge em di, muit gent, damnese, tê vivend na Autrália, na Macau, na América, no Brasil, na Ingaterra, em Petersborugh, Leicester, London, etc, na Angola, na Moçambique, na Portugal, e quemsab ond, ond mais! Istudô ôtra ling, djá é siõ dotor ô dotora, maj, dent de caz tê falan óss-dóss, cô su marid/mulher, cô su bich fin ô nigrinh. Puriss, nã é só gent velh ki tê falan ling de Badrapôr. É precis tirá êss vengonh de car e cumeçá falá e até iscrevê.

Ulhá, gent jóve, ussez ki tê iscreven num Net, num Blog, purkê tê med de iscrevê na noss ling , óss-dóss?

Ulhá, damnense, rapaziad e baizinh, ieu num ker istragá ess Dia Mundial de Damão, Muit Parabem pâ tod aquel gent ki mixeu ess gent de Damão, maj é pricis cumeçá pensá nu Di de Damão ki  Damão sempr tê celebrand: 2 de Fevrer, Fest de Noss Sinhora de Candei.

 

VIVA DAMÃO – Ó Damão, ò Damão!!!

Pe António Colimão – 2008

 

BÔ FEST E UM SANT NATAL!

Io sáb ki pã nóss gente de Damão, Miss de Natal, de Mê Nôt ô de Gál ninguém pod faltá!

PARABÉNS DAMNENS, porq pâ ucêz, Miss aind é tudo e  muit importante. Dipôi tê vind tôd algri de Natal:

Visti rôp nôv-nôv, istrel na port da nóss caz, music de «silent night», kumid-kumid, dôss-dôss…«tê vind àg na bôk, kand tê lembrand de xacutti de gál, sarpatel de pôrk, carn assad de vak, bulinh de cabrit, ôtr-ôtr nóss kumid: de pôrk, de cabrit, de galinh, caril de peixe e kontidad de dôss-dôss: de granv, de comblenh, de bób, de neuvris, bôrô de rulanv, aranh de céu, dódól, cake, robin cake, cârl-cârl, bulinh assucrad e tant coiz mái!

Tud êss é muit bunit e num pod dixá perdê nad, minh gente! Masj cuidad! Dipoi de Natal nóss tê kê pensá ki nóss vid de cristanv num pod sê como de ginti: kon brig~brig, kô invej, kô bebder e tant coiz ruim… È bom lembrá ki dipoi de kumungá, nóss kurassanv tê ficand kom verdeder Prisép!

Mimin Jezuz tê nascend num kurassanv nóss!

 

BÔ FEST, SANT NATAL e um FELIZ Ann Nôv.

 

Pe António Colimão

Lisboa, Natal de 2009

 


MESTIÇAGEM – Rêssonância dos PRÓS e CONTRAS

Foi rica essa experiência. Porém, sendo um tema de tão grande abrangência de portugalidade, deu a impressão de que, nem toda a gente está aberta a essa riqueza,que os portugueses de antanho espalhou pelos quatros cantos do mundo. Riqueza essa que ultrapassa todos os limites do território national, criando laços indeléveis entre os vários povos, hoje, com suas Bandeiras e seus Hinos, quiçá,falando outras línguas, mas que um filão do sentir português, umas vezes através da língua lusa, outras vezes de marcas culturais que séculos não conseguiram apagar!
Felizmente, existe uma rede de pessoas empenhadíssimas em querer unir as pontes dessa imensa teia de portugalidade, de mestçagem, da Alma Portuguesa, espalhada pelo mundo fora: Lusofonia e Cultura que ainda tem umprofundo sentir no Brasil, em Angola, em Moçambique, Guiné, Cabo Verde, Timor, Macau, Tailandia, Malaca, Ormuz, Goa, Damão, Diu, Bassaim, Curlay e outros tantos lugares, alguns até desconhecidos de nós.

 

ALMA DA PÁTRIA OU MESTIÇAGEM

Este tema foi objecto de discussão no conhecido Programa «Prós e Contras» da RTP, apresentado pela Dra Fátima Campos. Tive o prazer de fazer parte das 6 pessoas escolhidas para esse debate que, mesmo antes da sua realização, os lusófonos do Brasil, Índia, Macau, Angola, Moçambique e outras partes do mundo, com «alma lusa» estiveram atentos a esse Programa. Naturalmente, pertence aos telespectadores avaliar como decorreu essa conversa.
Gostei do tema, mas não sei se entre nós, em Portugal, temos consciência deste fenómeno chamado «portugalidade», fenómeno esse que ultrapassa os limites do nosso território e da nossa Bandeira, do nosso Hino Nacional e mesmo da nossa Língua…! Algo inexplicável que leva um singalês no Ceilão, na Tailândia, na Índia, mesmo fora de Goa, Damão e Diu, e noutra partes do mundo a considerar-se «português»… O que é este SER-se e SENTIR-se português? Podemos querer tentar explicar, mas SÓ e SOMENTE esses irmãos e irmãs que vivem milhares de quilómetros distantes de nós, hoje e há alguns séculos, sem grandes ou nenhumas ligações, com Portugal, poderão dizer-nos o que eles sentem…!
MESTIÇAGEM de mestiço, palavra essa que soa a colonialismo, palavra que deu espaço, para ser desprezado ou desprezar, para se sentir superior ou ser inferiorizado, conforme o sítio ou o tempo…!
Porém, a abordagem deste tema leva-nos a qualquer coisa mais profundo, mais transcendental, fazendo-nos reflectir, como a influência de um povo ou de uma nação – mesmo que ela seja tão pequena, como Portugal, pode perdurar séculos, nos povos e lugares longínquos, influenciando ao longo de gerações!
Haverá quem discorde deste fenómeno, tentando dar outras explicações. Intelectuais ou pseudo intelectuais, historiadores ou pseudo historiadores terão outras opiniões. Apenas constato a realidade nua e crua! E lamento que a Nação Mãe, o nosso Portugal, qualquer que tenha sido as motivações políticas no passado, hoje, uns quase que ignoram essa riqueza espiritual, outros até se envergonham desse passado que até muitos estrangeiros o classifiquem como glorioso e que, no entanto, os nossos governantes não dão prioridade nas suas agendas…!

Aliás, como verifiquei na minha viagem com o Senhor Primeiro Ministro, Dr. António Costa para Índia, integrada num séquito dos indu-portugueses na Diáspora, o maior interesse, quer da parte de Portugal, como também da Índia era transações económicas…!
(AOC)

 

DIA DE CAMÕES e os LUSO-DESCENDENTES de todo o Mundo

2ª Parte da intervenção do Coro «GOA, DAMÃO, DIU»

UMA EVOCAÇÃO JUNTO AO TÚMULO DE CAMÕES
Erguei, vate Lusitano, grande épico,
Vulto ainda hoje venerado e respeitado,
Não só no Mundo Lusófono,
Mas também por aqueles que sabem
Penetrar e admirar os feitos dos outros povos.
Por isso, génio imortal, se me é permitido pronunciar,
Erguei do vosso túmulo, estilhaçai a gélida mármore
Que esconde os vossos restos mortais,
Preciosíssimas relíquias da gloriosa alma lusitana;
Dai novo alento a este povo que outrora singrava,
Em frente das grandes Nações e Impérios,
E que hoje luta para não ficar na cauda da Europa;
Percorrei novamente as Terras d’ além Taprobana
Que as vossas sublimes e eternas estrofes encantavam
E encantam as gerações dos séculos.

Como um Luso – descendente permitam – me citar
o Cant. VII, est. XXV do Poeta que aqui jaz:

… Quem te trouxe a est’outro mundo,
Tão longe da Tua pátria lusitana?
Abrindo, lhe responde, o mar profundo.
Por onde nunca veio gente humana,
Vimos buscar do Indo o grão corrente,
Por onde a Lei divina se acrescente

e, ainda, como um luso – descendente da Índia, Damão,
e a respeito das suas muralhas Camões cantou:

O muro de Damão soberbo e armado
Escala, e primeiro entra a porta aberta.
Que fogo e frechas mil terão coberta.
( e tenho dito)

Pe António Colimão

 

HINO DA AFDDS – «RIO SANDALCÁLO» – Coro «Goa,Damão Diu»

2º Debate à Distância, 24mai2019- Liderança da Nação e “A Lusofonia e a Saúde num Mundo Desigual”

Ver Youtube:  https://liderancanacionalprofissional.timor-diaspora.org/agenda/?event_id1=573

 

Prof. Doutor Fernando de La Vieter Nobre – AMI

É com especial honra e orgulho que agradecemos ao Fundador e Presidente da AMI, Prof. Doutor Fernando de La Vieter Nobre, por ter aceite ser dos primeiros Fundadores da PISCDIL – Plataforma Internacional da Sociedade Civil da Diáspora Lusófona ou Plataforma da Diáspora Lusófona.

Ao prestar serviços em todo o mundo, serviços do bem precioso, comum e universal, que é a SAÚDE, representa a imagem e a palavra das Comunidades Lusófonas: as denominadas CPLP , ou que preferimos com mais propriedade chamar CPLL – Comunidades dos Povos de Língua Lusófona. Consideramos que “Língua Portuguesa” é o Português falado e escrito pelos portugueses; “Língua Lusófona” é o Português falado e escrito pelas comunidades lusófonas, tanto Comunidades/Estados como comunidades que vivem e trabalham em todos os recantos do mundo: Goa/Damão/Diu, Macau, Galiza (enquanto ligada à génese da Língua Portuguesa e à posterior génese da Língua Lusófona) e, também e enfim, aqueles que o investigador e escritor Joaquim Magalhães de Castro, chama no seu livro: “Os Filhos Esquecidos do Império”

Se há “filhos esquecidos dos Império” e “filhos esquecidos da República”, que nunca venham a viver pelos mais longínquos recantos do mundo “filhos esquecidos das novas Comunidades/Estados ou de outros tipos de comunidades lusófonas. 

São certamente tais “filhos esquecidos do Império” e “filhos esquecidos das novas repúblicas lusófonas” que o Fundador e Presidente da AMI e Fundador da PISCDIL acarinha nas suas viagens pelo mundo. Não são viagens de turismo, (dado que estamos no Ano Mundial do Turismo, promovido pela ONU/UNESCO), mas, sim, viagens de serviço à humanidade.

Os profundos agradecimentos ao Prof. Doutor Fernando de La Vieter Nobre por ter aceite proferir a presente Conferência de 03nov217, subordinada ao Tema “A Lusofonia no Mundo” , testemunhando a sua experiência humana e lusófona. É certamente o testemunho de quem conhece ou se encontra frente à frente e abraça os lusófonos pelo mundo, mais do que qualquer político dos Partidos que se vão alternando na governação da Nação.

 

     

1
Fernando José de La Vieter Ribeiro Nobre é Doutor Honoris Causa pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa desde 2001, Professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, regente da disciplina “Medicina Humanitária”, e Académico Correspondente da Academia Internacional de Cultura Portuguesa.
Foi administrador dos Médicos Sem Fronteiras – Bélgica e fundou em 1984, em Portugal, a AMI – Assistência Médica Internacional, à qual ainda preside. Participou como cirurgião em mais de duzentas e cinquenta missões de estudo, coordenação e assistência médica humanitária em mais de setenta países de todos os continentes.
Nasceu em Luanda em 1951. Em 1964 mudou-se para o Congo e, três anos mais tarde, para Bruxelas, onde estudou e residiu até 1985, altura em que veio para Portugal, país das suas origens paternas. É Doutor em Medicina pela Universidade Livre de Bruxelas, onde foi Assistente (Anatomia e Embriologia) e Especialista em Cirurgia Geral e Urologia.
Foi membro do Conselho Geral da Universidade de Lisboa e do Conselho Geral da Universidade da Beira Interior. Foi Professor Convidado dos cursos de Mestrado e Pós-Graduação na Universidade Autónoma de Lisboa e no Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna e conferencista no Instituto de Estudos Superiores Militares.
Tem 7 livros publicados.
Em termos associativos:
– é cofundador do Fórum para a Paz;
– foi presidente do Conselho de Curadores do Instituto da Democracia Portuguesa (do qual já foi presidente da Assembleia Geral);
– foi Presidente e Vice-Presidente da Plataforma Portuguesa das ONGD;
– é Presidente da Assembleia Geral da Associação Tratado de Simulambuco, da qual também é cofundador;
– é sócio-honorário e ex-presidente Honorário do MIL (Movimento Internacional Lusófono)
2
– é patrono da Fundação Burgher Portugal – Sri Lanka; do agrupamento nº 900 dos Escuteiros de Monte Abraão, dos Escuteiros de Aveiro, da APARECE (Instituição de Apoio a Adolescentes em Risco) e da Fundação As Crianças são o nosso Futuro (Ucrânia);
– foi vogal do Conselho Fiscal do CAVITOP – Centro de Apoio a Vítimas de Tortura;
– é membro da Associação para a Promoção e Dignificação do Homem, da Real Sociedade de Cirurgia (Bélgica), da Associação Europeia de Urologia, da Associação Portuguesa de Urologia, da Sociedade Portuguesa de Autores, da Sociedade de Geografia de Lisboa e sócio do Grémio Literário;
– é membro da Comissão de Honra de Homenagem a João XXI;
– é sócio honorário da Associação Académica da Universidade de Aveiro;
– é co-fundador e sócio do Hospital Particular do Algarve;
– é sócio honorário do Lions Clube de Portimão.
Ordens Honoríficas:
– Oficial da Legião de Honra – França
– Grande Oficial da Ordem do Mérito – Portugal
– Cavaleiro da Legião de Honra – França
– Cavaleiro da Ordem Nacional do Leão – Senegal
– Cavaleiro da Real Ordem da Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa – Casa Real Portuguesa
– Grã-Cruz da Ordem Diocesana de S. Tomé – S. Tomé e Príncipe
– Grã-Cruz da Ordem de “La Couronne” – Casa Real do Ruanda
– Real Placa do Leão – Casa Imperial da Etiópia
Recebeu vários prémios e distinções em Portugal e no estrangeiro, incluindo o primeiro prémio da Associação Europeia de Urologia; a medalha de ouro dos Direitos Humanos, da Assembleia da República Portuguesa; a placa da Presidência da República do Líbano (entregue pelo General Émile Lahoud); e a insígnia de Grand Marshal do Estado de New Jersey (EUA), nas comemorações do Dia de Portugal. É Cidadão de Honra da Câmara Municipal de Cascais, Cidadão de Mérito da Câmara Municipal de Portimão, detentor da Medalha de Honra e Cidadão Honorário da cidade de Vila Nova de Gaia, Embaixador da Boa-Vontade da Ilha de Gorée (Contra a Escravatura), no Senegal e Embaixador do Condomínio da Terra.